Em Minions & Monsters, que chega aos cinemas brasileiros nesta semana, a turma amarela de Meu Malvado Favorito deixa de lado o papel de capangas para tentar conquistar o estrelato na Hollywood da década de 1920. Dirigido por Pierre Coffin, o longa utiliza o desejo do Minion James de dirigir seu próprio filme como motor para uma jornada que, ao libertar monstros reais, ameaça o mundo. A recepção crítica, no entanto, é marcada por um consenso ambivalente: o filme brilha intensamente ao homenagear a história do cinema, mas perde o fôlego ao se render à estrutura convencional e caótica da franquia.
O esplendor da Era de Ouro
Para Clint Worthington, do portal Roger Ebert, o filme é “frenético, fofo e praticamente amoroso”, sendo possivelmente a entrada mais revigorante da série até o momento. Essa percepção é compartilhada por Frank Scheck, do The Hollywood Reporter, que define o longa como a produção mais inteligente e engraçada já protagonizada pelos personagens. O trunfo dessa primeira metade reside no uso sagaz da metalinguagem.
Segundo Scheck, o filme é uma verdadeira “carta de amor a Hollywood”, repleta de referências que encantarão cinéfilos — desde a inserção dos Minions em cenas clássicas dos irmãos Lumière até homenagens a Buster Keaton, Harold Lloyd e Charlie Chaplin. Worthington reforça essa visão, destacando como o diretor Pierre Coffin utiliza a transição do cinema mudo para o falado para criar sequências inventivas, incluindo referências a clássicos como Cidadão Kane e Casablanca. Para o crítico do Roger Ebert, essa construção funciona como uma destilação dos impulsos artísticos que tornaram o cinema uma forma de arte duradoura.
O desequilíbrio narrativo
Apesar do início promissor, a segunda metade do longa encontra resistência entre os críticos. Rafaela Bassili, do The Guardian, argumenta que, ao tentar equilibrar o desejo de uma direção “mais inteligente” com as expectativas de uma audiência acostumada ao “gibberish” (a fala incompreensível dos Minions), Coffin acaba “dando um passo maior que a perna”.
Frank Scheck corrobora essa observação, notando que o filme é “um pouco sobrecarregado” e que, após a introdução dos monstros, a narrativa “se degenera no frenesi habitual” que aflige as animações infantis modernas. Esse sentimento de perda de foco é compartilhado por Worthington, que admite que, ao sair do ambiente dos estúdios de Hollywood, o filme perde o vapor. Para o crítico, subtramas como a do robô alienígena — dublado por Jesse Eisenberg — e seu envolvimento com o movimento sufragista, embora tragam deleites ocasionais, parecem menos envolventes do que o brilho satírico da primeira parte.
A busca por alma e propósito
Um dos pontos mais discutidos é a tentativa do filme de dotar os Minions de profundidade emocional. Bassili aponta que esta é a primeira tentativa da Illumination de conferir “pathos” aos personagens, especificamente através da amizade entre James e Henry, baseada em um ego que, teoricamente, eles não deveriam possuir. Contudo, para a jornalista do The Guardian, essa premissa é desperdiçada, pois o filme acaba perdendo o controle de sua essência ao transformar os protagonistas em heróis genéricos que salvam o dia, ignorando a natureza fundamental da franquia: o fato de serem, por definição, capangas de vilões.
Para Worthington, por outro lado, a abordagem de Coffin é uma defesa necessária da relevância dos personagens. Ele argumenta que o diretor consegue, com sucesso, despir a franquia da “presença sufocante de Gru”, provando que os Minions não são apenas um “flagelo da falta de atenção cultural”, mas personagens que representam o impulso puro de entreter.
Um veredito dividido
Ao final, o panorama é de um filme que oscila entre a ambição artística e a demanda comercial. Enquanto Frank Scheck conclui que a sofisticação da sátira inicial é “surpreendente e eficaz”, ele ressalta que o resultado final é um projeto que deseja, tal como seu protagonista, ganhar um prêmio de prestígio. Já para Rafaela Bassili, o filme deixa uma sensação de desilusão: a obra não alcança a clareza cristalina dos bons filmes infantis e falha em ensinar qualquer lição nova ao seu público, limitando-se a repetir um ciclo que, financeiramente, continua a ser muito lucrativo para o estúdio. Em última análise, Minions & Monsters permanece como um esforço criativo que, mesmo em seus momentos de maior brilho, não consegue se desvencilhar totalmente das expectativas comerciais que pairam sobre a turma amarela.
FONTE: AGENCIA BRASILSource link







