Combate ao comércio ilícito exige cooperação regional, diz Tadros

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O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defendeu nesta quinta-feira (2), em Buenos Aires, na Argentina, que o enfrentamento ao comércio ilícito na América do Sul depende da cooperação entre os países, da inovação tecnológica e da integração entre governos e iniciativa privada. A declaração foi feita durante o V Encontro do Conselho de Associações Empresariais Sul-Americanas para o Comércio Lícito, que reúne representantes de diversos países para discutir estratégias de combate ao contrabando, à falsificação e ao crime organizado.

Segundo Tadros, o avanço das organizações criminosas transnacionais transformou o comércio ilícito em um desafio que vai além da fiscalização de fronteiras. Para o dirigente, o problema afeta diretamente o desenvolvimento econômico, reduz a arrecadação pública, prejudica empresas que atuam legalmente e fortalece redes criminosas em toda a região.

Comércio ilícito afeta economia e segurança

Durante sua participação no Painel 3, dedicado às perspectivas das câmaras de comércio sul-americanas, José Roberto Tadros afirmou que o comércio ilícito deixou de ser apenas uma questão relacionada ao controle aduaneiro.

Segundo ele, a circulação de mercadorias sem recolhimento de impostos, o contrabando e a comercialização de produtos falsificados representam desafios que comprometem o crescimento econômico, a governança pública e a segurança regional.

“O comércio ilícito deixou de ser apenas uma questão aduaneira. Hoje, ele constitui um problema de desenvolvimento econômico, de governança pública, de integridade institucional e de segurança regional”, afirmou.

O presidente da CNC destacou que essas práticas reduzem a capacidade de investimento dos governos, provocam perdas na arrecadação tributária, enfraquecem a concorrência leal e ampliam o poder financeiro de organizações criminosas que atuam em diversos países da América do Sul.

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Cooperação entre países é apontada como prioridade

Para Tadros, nenhum país conseguirá enfrentar sozinho as organizações responsáveis pelo comércio ilegal.

Ele defendeu que o combate ao problema exige integração permanente entre governos, forças de segurança, órgãos de fiscalização e entidades representativas do setor produtivo.

Segundo o dirigente, a troca de informações, a harmonização de políticas públicas e a atuação conjunta entre os países sul-americanos são essenciais para reduzir o avanço das redes criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

A avaliação foi compartilhada durante um dos principais painéis do encontro, que reuniu representantes empresariais de Argentina, Brasil, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Uruguai.

Tecnologia passa a ser aliada da fiscalização

Outro ponto central da apresentação foi a necessidade de ampliar o uso de tecnologias no combate ao comércio ilícito.

José Roberto Tadros defendeu investimentos em inteligência artificial, análise de dados, sistemas interoperáveis e mecanismos de rastreabilidade digital para tornar a fiscalização mais eficiente.

Segundo ele, essas ferramentas permitem identificar padrões de atuação das organizações criminosas, antecipar rotas utilizadas pelo contrabando e aumentar a capacidade de resposta dos órgãos responsáveis pelo controle de mercadorias.

Na avaliação do presidente da CNC, o futuro da fiscalização depende cada vez mais da integração entre inteligência tecnológica e cooperação internacional.

Fronteiras brasileiras ampliam desafios

Durante sua exposição, Tadros lembrou que o Brasil possui uma das maiores extensões de fronteiras terrestres da América do Sul.

Segundo ele, essa característica aumenta a complexidade das ações de fiscalização e facilita a atuação do crime organizado em diferentes regiões do país.

O dirigente afirmou ainda que diferenças tributárias e regulatórias entre países vizinhos acabam incentivando o contrabando e outras práticas ilegais, criando um ambiente de concorrência desleal para empresas que atuam dentro da legalidade.

Três pilares para reduzir o comércio ilegal

Ao apresentar a visão do setor produtivo, Tadros destacou três eixos considerados fundamentais para enfrentar o problema.

O primeiro é a competitividade econômica. Segundo ele, combater o comércio ilícito significa proteger empresas que geram empregos, recolhem tributos e investem na economia formal.

O segundo pilar é a inovação tecnológica. Para o dirigente, ferramentas de inteligência integrada, monitoramento digital e análise preditiva serão determinantes para aumentar a eficiência das ações de fiscalização.

O terceiro ponto é o desenvolvimento das regiões de fronteira. Tadros afirmou que políticas públicas voltadas para infraestrutura, presença do Estado e geração de oportunidades econômicas contribuem para reduzir a influência das organizações criminosas nessas áreas.

“O combate ao comércio ilícito exige uma visão integrada entre segurança e desenvolvimento”, resumiu.

Contrabando fortalece organizações criminosas

Em entrevista durante o evento, Tadros reforçou que o contrabando está diretamente relacionado ao fortalecimento de grupos criminosos que atuam em diversos segmentos da economia ilegal.

Segundo ele, enfrentar esse cenário exige diálogo permanente entre o setor privado e o poder público.

“O combate só pode acontecer conjuntamente. É preciso unir os esforços de todos os países da América do Sul para combater essa evasão de recursos”, afirmou.

O presidente da CNC também relacionou o crescimento do contrabando às elevadas cargas tributárias existentes em diversos países latino-americanos.

Na avaliação dele, esse cenário cria incentivos econômicos para atividades ilegais e reduz a competitividade das empresas que atuam regularmente.

Conselho discute integração regional

A abertura do segundo dia do encontro também contou com a participação do presidente pro tempore do Conselho de Associações Empresariais Sul-Americanas para o Comércio Lícito, Natalio Mario Grinman.

Ele destacou que o contrabando acompanha a história da América do Sul desde o período colonial e que fatores como diferenças regulatórias, elevados custos comerciais e restrições de mercado contribuíram para a permanência desse fenômeno ao longo dos séculos.

Segundo Grinman, o desafio atual consiste em ampliar a cooperação entre governos e setor privado para construir políticas públicas capazes de reduzir os impactos econômicos e sociais do comércio ilegal.

Mercado comum é defendido

Ao encerrar sua participação, José Roberto Tadros defendeu maior integração econômica entre os países sul-americanos.

Segundo ele, a região reúne condições favoráveis para ampliar o comércio formal, fortalecer cadeias produtivas e reduzir assimetrias econômicas.

O dirigente ressaltou que a América do Sul possui grande disponibilidade de recursos naturais, mercado consumidor superior a 400 milhões de habitantes e ausência de conflitos territoriais relevantes, fatores que, segundo ele, favorecem a construção de mecanismos comuns de desenvolvimento econômico.

O V Encontro do Conselho de Associações Empresariais Sul-Americanas para o Comércio Lícito segue discutindo propostas voltadas ao fortalecimento institucional, à segurança regional e ao combate ao comércio ilegal, consolidando-se como um dos principais fóruns de articulação entre governos e setor privado no continente.

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