A chuva registrada na noite de quinta-feira (24) trouxe alívio para moradores de Manaus após dias de calor intenso e concentração de fumaça provocada por queimadas na região. O temporal foi acompanhado de trovoadas e raios em diferentes áreas da capital amazonense e ocorreu depois de a cidade registrar temperaturas próximas dos 39°C.
Apesar da melhora nas condições meteorológicas, ainda não havia, até o momento da apuração, uma nova medição oficial da Prefeitura de Manaus que permitisse confirmar numericamente a recuperação da qualidade do ar em toda a cidade. A precipitação pode ajudar a remover partículas suspensas na atmosfera, mas a concentração de fumaça depende também da continuidade das queimadas, dos ventos e da estabilidade do ar.
Chuva ocorre após recorde de calor em Manaus
O temporal ocorreu dois dias depois de Manaus registrar 38,6°C, na terça-feira (22). A temperatura foi apontada como a maior registrada na capital amazonense em 2026, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Antes da chuva, o instituto já indicava condições favoráveis à ocorrência de pancadas de chuva e trovoadas no Amazonas. A previsão para a quinta-feira apontava temperatura máxima de até 38°C em Manaus, com possibilidade de instabilidade atmosférica.
Na noite do dia 24, moradores de diferentes bairros relataram chuva acompanhada de raios e trovões. O registro foi noticiado pelo jornal A Crítica, que relacionou a mudança no tempo ao período de calor intenso enfrentado pela capital.
A chuva também foi registrada em um momento de atenção das autoridades municipais para a ocorrência de eventos meteorológicos severos. A Defesa Civil de Manaus emitiu alerta para chuvas intensas na sexta-feira (25), com notificações encaminhadas à população pelo sistema Defesa Civil Alerta.
Fumaça havia elevado concentração de partículas
Antes do temporal, Manaus enfrentava uma piora significativa na qualidade do ar. Em 23 de setembro, a Prefeitura informou que a concentração média de partículas finas, conhecidas como MP2,5, havia alcançado 188,5 microgramas por metro cúbico.
O índice foi classificado como “péssimo” pelo monitoramento municipal. As partículas MP2,5 são pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório e podem representar risco maior para pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça estava relacionada a queimadas registradas em diferentes áreas da Amazônia, incluindo municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.
O cenário já vinha sendo acompanhado pelas autoridades. Em 17 de setembro, a média de MP2,5 havia chegado a 94,7 microgramas por metro cúbico, nível classificado como “muito ruim” no monitoramento municipal.
Na ocasião, a Prefeitura citou municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru entre as áreas associadas à origem da fumaça que atingia a capital.
Precipitação pode remover partículas da atmosfera
A chuva pode contribuir para a redução temporária de partículas suspensas no ar. Esse processo é conhecido como deposição úmida e ocorre quando gotas de água incorporam partículas presentes na atmosfera, levando parte delas para o solo.
No entanto, a ocorrência de chuva não significa, por si só, que a qualidade do ar tenha retornado a níveis considerados adequados.
A concentração de poluentes pode voltar a aumentar depois da precipitação, principalmente quando permanecem as fontes de emissão de fumaça. A intensidade dos ventos, a umidade, a temperatura e a estabilidade atmosférica também influenciam a dispersão dos poluentes.
Por esse motivo, a avaliação da qualidade do ar precisa considerar medições realizadas após o temporal. Até o momento da apuração, não foi localizada uma atualização oficial da Prefeitura de Manaus com uma nova média de MP2,5 capaz de quantificar a redução da poluição depois da chuva.
Dessa forma, é possível afirmar que o temporal amenizou o calor e pode ter contribuído para a remoção de parte da fumaça, mas não há confirmação oficial de que toda a capital tenha registrado melhora uniforme na qualidade do ar.
Queimadas continuam sendo fator de preocupação
A presença de fumaça em Manaus está relacionada ao cenário de queimadas no Amazonas e em outras áreas da Amazônia.
Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), apontaram que o Estado registrou 3.908 focos de calor entre 1º de janeiro e 9 de setembro de 2026.
No mesmo intervalo de 2025, haviam sido contabilizados 2.643 focos. A comparação representa aumento de aproximadamente 47% no número de registros no período analisado.
O MPC-AM levou informações sobre o avanço das queimadas à Procuradoria-Geral da República, destacando os impactos ambientais e os efeitos da fumaça sobre a população, incluindo os moradores de Manaus.
O Inpe mantém o acompanhamento de focos de calor, risco de fogo, precipitação, temperatura e umidade por meio do Programa Queimadas. Esses dados ajudam a acompanhar a evolução das condições ambientais e meteorológicas na região.
Defesa Civil orienta cuidados durante temporais
Com a previsão de continuidade das instabilidades, a Defesa Civil Municipal recomendou que a população adote medidas de segurança durante as chuvas fortes.
Entre as orientações estão evitar permanecer sob árvores, manter distância de postes e redes elétricas e redobrar a atenção em áreas com histórico de alagamentos.
Em caso de emergência, os canais informados pela Defesa Civil de Manaus são o telefone 199 e o WhatsApp (92) 98802-3547.
Durante períodos de fumaça, a população também deve reduzir a exposição ao ar poluído. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem atenção especial, conforme orientações divulgadas pelas autoridades de saúde.
Monitoramento deve continuar após a chuva
A chuva registrada na noite de quinta-feira modificou temporariamente as condições do tempo em Manaus, com redução do calor e possível remoção de parte das partículas suspensas na atmosfera.
Entretanto, a situação da qualidade do ar depende de novos registros de monitoramento. A continuidade das queimadas, a movimentação da fumaça e as condições meteorológicas podem influenciar os índices ao longo dos próximos dias.
A Prefeitura de Manaus acompanha a concentração de partículas por meio do monitoramento municipal, enquanto o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima disponibiliza dados de estações de monitoramento por meio da plataforma MonitorAr.
Até que sejam divulgadas novas medições oficiais, a informação confirmada é que a chuva trouxe alívio térmico à capital amazonense e ocorreu após um período de calor intenso e níveis elevados de fumaça. A extensão da melhora na qualidade do ar ainda depende de dados atualizados.








