O engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira ganhou destaque mundial ao integrar a lista “Nature’s 10”, publicada pela revista Nature. A seleção reúne cientistas que, ao longo do ano, impulsionam avanços decisivos na ciência. Justamente por causa de sua liderança no desenvolvimento do Método Wolbachia, Moreira recebeu atenção especial da publicação. Além disso, sua pesquisa se consolidou como uma das mais promissoras no combate às arboviroses.
Como funciona o Método Wolbachia
Ao longo de mais de dez anos, Moreira estudou a aplicação da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti. A bactéria ocorre naturalmente em diversos insetos e, quando presente no Aedes, reduz de forma significativa a chance de transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya. Em 2009, ele demonstrou em artigo que a Wolbachia dificulta a infecção viral. Embora o mecanismo ainda gere dúvidas, a Nature afirma que a bactéria provavelmente compete com o vírus por recursos ou estimula proteínas antivirais. Portanto, o mosquito passa a transmitir menos doenças.
Biofábrica e expansão da tecnologia
Para fortalecer essa estratégia, Moreira dirige uma biofábrica de mosquitos com Wolbachia em Curitiba (PR). A unidade, desenvolvida em parceria com a Fiocruz, o IBMP e o World Mosquito Program (WMP), produz os chamados wolbitos, que se reproduzem nas cidades e espalham a bactéria naturalmente. Dessa maneira, o método avança de forma contínua. Além disso, o modelo brasileiro inspira outros países que enfrentam surtos de arboviroses.
Adoção nacional do método
O Ministério da Saúde incorporou o Método Wolbachia à estratégia nacional de combate às doenças transmitidas pelo Aedes. Atualmente, o governo implementa o projeto em Balneário Camboriú, Brasília, Blumenau, Joinville, Luziânia e Valparaíso de Goiás. As cidades foram escolhidas porque registram altos índices de arboviroses nos últimos anos. Por fim, a presença de Moreira na Nature’s 10 reforça o impacto da ciência brasileira, da mesma forma que ocorreu em 2023 com a ministra Marina Silva.







