A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas um conceito de ficção científica e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. Hoje, está presente em praticamente tudo — de ferramentas de trabalho e eletrodomésticos inteligentes a veículos autônomos. No entanto, uma vertente específica, a IA generativa, vem chamando mais atenção por criar conteúdos originais, como textos, imagens, vídeos, músicas e até códigos de programação. Essa tecnologia aprende com grandes volumes de dados e usa esse conhecimento para gerar novas ideias, acelerando processos em diversos setores.
No campo financeiro, por exemplo, bancos já utilizam chatbots para recomendações e atendimentos personalizados, enquanto instituições de crédito realizam simulações em segundos. Na saúde, a IA generativa auxilia na pesquisa de medicamentos, simula ensaios clínicos e contribui para o estudo de doenças raras. Já na comunicação e no entretenimento, a tecnologia reduz custos e tempo de produção, permitindo criar conteúdos jornalísticos e artísticos com mais agilidade.
Apesar dos avanços, especialistas alertam para riscos. O advogado João Leitão Figueiredo, da CMS Portugal, lembra que sistemas de IA ainda cometem erros e devem ser vistos apenas como ferramentas de apoio. Casos de “alucinações” — quando a IA inventa informações — já causaram constrangimentos, como o episódio em que a Google divulgou dados incorretos sobre uma jornalista portuguesa.
Um estudo da Microsoft com a Universidade Carnegie Mellon também acendeu um alerta: o uso excessivo da IA generativa pode enfraquecer o pensamento crítico humano. Segundo a pesquisa, quando as pessoas passam a apenas supervisionar o trabalho feito por máquinas, seu esforço mental e capacidade de análise diminuem. Ou seja, a eficiência aumenta, mas a autonomia e a reflexão podem estar em risco.





