A busca por práticas de cultivo sustentável na Amazônia alcançou um novo patamar no Amapá. Uma iniciativa pioneira, resultante da sinergia entre o Laboratório de Aquicultura e Pesca da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade do Estado do Amapá (Ueap), está convertendo o que antes seria lixo industrial em insumos de alto valor biológico. O foco do estudo é desenvolver uma ração artesanal inovadora, cuja matéria-prima é integralmente composta por subprodutos e resíduos gerados pela cadeia pesqueira local. A proposta centraliza-se na economia circular, visando otimizar a gestão de sobras de pescado – incluindo carne e ossos descartados – para formular um alimento completo e nutritivo destinado à criação de pirapitingas, uma espécie de grande relevância comercial na região.
Tradicionalmente, os resíduos da filetagem e processamento de peixes representam um desafio ambiental significativo, sendo frequentemente descartados de maneira inadequada e contribuindo para a poluição hídrica. Este projeto de pesquisa oferece uma alternativa robusta e ecológica: ao transformar estes rejeitos em farinhas proteicas, o processo não apenas elimina o desperdício em nível industrial, mas também gera uma fonte de alimento para a piscicultura local extremamente rica. O produto final demonstrou conter altas concentrações de proteínas, vitaminas e minerais essenciais, superando a densidade nutricional de muitas rações convencionais disponíveis no mercado. Esta transição para um modelo de insumo próprio e regionalizado minimiza a pegada de carbono da produção, ao mesmo tempo que injeta sustentabilidade na aquicultura amapaense.
O potencial transformador desta inovação foi amplamente reconhecido durante a recente Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, sediada em Macapá, onde o estudo foi apresentado ao público. A pesquisa atraiu grande interesse de visitantes e da comunidade estudantil, funcionando como uma vitrine tecnológica para o manejo responsável de recursos naturais. Entre os entusiastas estava Anderson da Silva, um estudante de 13 anos da Escola Estadual Lucimar Amoras Del Castillo, que destacou a relevância ecológica da descoberta. “Gostei muito do fato de essa ração ser feita do próprio peixe. Achei bem interessante porque ajuda a gente, deixa a gente mais inteligente. Para mim, vale muito a pena”, afirmou. O entusiasmo juvenil reforça o impacto pedagógico e a viabilidade prática da solução, sinalizando um futuro promissor para a autossuficiência e sustentabilidade na produção de proteína aquática no Amapá.
Fonte: g1 > Amapá





