Sarampo em Tabatinga: Amazonas confirma três casos na fronteira

sarampo

O sarampo em Tabatinga teve três casos confirmados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) nesta quinta-feira (10). Os pacientes são duas crianças, de 8 e 1 ano, e uma mulher de 24 anos, todos de nacionalidade peruana. Tabatinga está localizada a 1.108 quilômetros de Manaus, na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

Os casos foram notificados em setembro e confirmados por exames laboratoriais realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM). Segundo a FVS-RCP, há ainda um caso suspeito em investigação em Tabatinga e outro no município de Carauari.

Casos foram identificados em setembro

A confirmação dos três diagnósticos consta no Alerta Epidemiológico nº 02/2026 da FVS-RCP. O documento integra as ações de acompanhamento do cenário epidemiológico do estado e orienta os serviços de saúde diante da identificação de casos suspeitos ou confirmados.

A presença de casos em Tabatinga recebe atenção adicional por causa da localização do município. A cidade está no Alto Solimões e integra uma área de intensa circulação de pessoas entre o Brasil, o Peru e a Colômbia.

A nacionalidade peruana dos pacientes, por si só, não permite determinar onde ocorreu a transmissão do vírus. A origem das infecções e a eventual relação entre os casos dependem da investigação epidemiológica realizada pelas autoridades de saúde.

A FVS-RCP mantém o monitoramento do município e orienta as equipes de saúde a identificar, notificar e investigar pessoas que apresentem sinais compatíveis com sarampo.

Tabatinga fica na tríplice fronteira

Tabatinga está localizada no extremo oeste do Amazonas, na região do Alto Solimões. O município faz fronteira direta com Leticia, na Colômbia, e fica próximo à cidade peruana de Santa Rosa.

A movimentação entre as três localidades faz da região uma área de circulação internacional de pessoas. Por esse motivo, o acompanhamento de doenças transmissíveis faz parte das estratégias de vigilância epidemiológica.

Em situações de circulação do sarampo, a identificação rápida de pessoas com sintomas e a verificação da situação vacinal são medidas importantes para evitar a ampliação da transmissão.

O Ministério da Saúde considera o sarampo uma doença de alta transmissibilidade e estabelece procedimentos específicos para investigação de casos suspeitos, especialmente quando existe histórico de viagem ou contato com pessoas provenientes de áreas onde há circulação do vírus.

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Cobertura vacinal no Alto Solimões

Dados registrados em 2026 apontam cobertura de 109% para a primeira dose (D1) da vacina tríplice viral em Atalaia do Norte. Em Benjamin Constant, o indicador está em 104%, enquanto Tabatinga registra 101%.

Percentuais acima de 100% podem ocorrer em indicadores de vacinação quando há diferenças entre a população utilizada como referência para o cálculo e o número de pessoas efetivamente vacinadas.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O Ministério da Saúde disponibiliza o imunizante gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mesmo com indicadores elevados, a situação vacinal individual precisa ser conferida. A cobertura municipal é um indicador populacional e não significa que todas as pessoas estejam com o esquema de vacinação completo.

Por isso, a orientação das autoridades é que moradores verifiquem a carteira de vacinação e procurem uma unidade de saúde quando houver necessidade de atualização das doses.

Qual é o esquema da vacina contra o sarampo

De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a primeira dose da vacina tríplice viral é indicada aos 12 meses de idade. A segunda dose é prevista aos 15 meses.

Para pessoas entre 12 meses e 29 anos sem comprovação de esquema completo, o Ministério da Saúde orienta iniciar ou completar duas doses, considerando a situação vacinal encontrada.

Entre 30 e 59 anos, pessoas sem comprovação de vacinação devem receber uma dose, conforme as orientações do calendário. Trabalhadores da saúde possuem recomendações específicas, independentemente da idade.

A vacina tríplice viral também pode ser utilizada em estratégias específicas de bloqueio vacinal. Em situações epidemiológicas determinadas pelas autoridades de saúde, podem existir recomendações adicionais para determinados grupos.

Em 2026, o Ministério da Saúde publicou nota técnica com orientações para utilização da chamada dose zero em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias em ações de bloqueio e varredura no entorno de casos suspeitos ou confirmados de sarampo.

Sintomas exigem atenção

Entre os principais sintomas do sarampo estão febre alta, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e conjuntivite.

Segundo o Ministério da Saúde, a definição de caso suspeito considera a presença de febre e exantema maculopapular acompanhados de tosse, coriza ou conjuntivite. Também deve ser considerada a ocorrência de viagem ou contato com pessoa que tenha viajado para local com circulação do vírus nos últimos 30 dias.

A doença é altamente transmissível. Por isso, pessoas que apresentarem sintomas compatíveis devem procurar atendimento em um serviço de saúde e informar sobre viagens recentes ou contato com pessoas provenientes de áreas de circulação do vírus.

A identificação precoce permite que as equipes de vigilância adotem medidas de investigação e controle.

Vigilância é reforçada na fronteira

Com a confirmação dos três casos, a FVS-RCP mantém o acompanhamento do cenário em Tabatinga e orienta os serviços de saúde a reforçarem a identificação de novos casos suspeitos.

O trabalho envolve notificação, investigação epidemiológica e realização de exames laboratoriais quando indicados.

A atuação é particularmente relevante em uma região com circulação internacional. O objetivo é identificar rapidamente possíveis novos casos e reduzir o risco de transmissão.

A existência de três casos confirmados não significa, por si só, que exista transmissão generalizada do sarampo no município. A avaliação desse cenário depende da investigação epidemiológica e do acompanhamento dos casos e contatos.

Há outros casos suspeitos em investigação

Além dos três casos confirmados em Tabatinga, a FVS-RCP informou que um caso suspeito continua em investigação no próprio município.

Outro caso é investigado em Carauari, município localizado no interior do Amazonas. A situação mostra que o monitoramento não está restrito aos casos já confirmados.

Os casos suspeitos ainda dependem de investigação e, quando necessário, de exames para definição da classificação final.

A orientação para a população permanece relacionada à prevenção e à busca por atendimento diante de sintomas compatíveis com a doença.

Vacinação continua sendo a principal prevenção

O Ministério da Saúde destaca a vacinação como a forma mais eficaz de prevenção contra o sarampo. A tríplice viral é oferecida gratuitamente na rede pública e protege também contra caxumba e rubéola.

A recomendação é manter a carteira de vacinação atualizada e procurar uma unidade de saúde para verificar se há doses pendentes.

Em regiões de fronteira, essa medida ganha importância adicional devido à circulação de pessoas entre diferentes países. A proteção individual contribui para reduzir a possibilidade de transmissão e para manter baixos os níveis de circulação do vírus.

A vacina, entretanto, deve ser aplicada de acordo com as indicações do calendário e das estratégias definidas pelas autoridades de saúde. Há contraindicações e situações específicas que exigem avaliação profissional.

Orientação é manter atenção sem pânico

A confirmação dos casos em Tabatinga levou ao reforço da vigilância epidemiológica e das orientações de vacinação, mas as autoridades de saúde não recomendam pânico entre os moradores.

A principal recomendação é verificar a situação vacinal, procurar atendimento diante de sintomas suspeitos e informar aos profissionais de saúde sobre viagens recentes ou contato com pessoas provenientes de áreas com circulação do sarampo.

A FVS-RCP continuará acompanhando o cenário epidemiológico em Tabatinga e nos demais municípios envolvidos nas investigações.

O acompanhamento dos casos confirmados, a investigação dos casos suspeitos e a manutenção da vacinação são as principais estratégias para identificar precocemente novas infecções e reduzir o risco de circulação do vírus no Amazonas.

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