Um espetáculo teatral que utiliza o universo do circo para questionar o preconceito e a exclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes estreia em Manaus no dia 23 de novembro. Intitulada “Terra de Sal”, a montagem do Grupo Fome será apresentada às 20h, no Teatro Américo Alvarez, localizado na Avenida Ramos Ferreira, nº 1572, no Centro da capital amazonense. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é de 16 anos.
Com atuação e dramaturgia de Sahel Oliveira e direção artística de Henrique Campelo, o espetáculo apresenta a história de um circo decadente, comandado por um empresário tirânico que transforma corpos e histórias humanas em atrações. A narrativa utiliza esse ambiente para discutir padrões de normalidade, discriminação e a falta de oportunidades para pessoas com deficiência e neurodivergentes na sociedade e nos espaços culturais.
A montagem também terá uma segunda apresentação no dia 28 de novembro, às 20h, na Casa Teatro Taua-Caá, localizada na Rua Santa Eliana, nº 19, no bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus.
Espetáculo questiona padrões de normalidade e exclusão
Em “Terra de Sal”, o universo circense funciona como metáfora para uma sociedade que transforma diferenças físicas, cognitivas e comportamentais em motivos de discriminação e exposição.
A proposta é provocar uma reflexão sobre a maneira como pessoas que não se enquadram nos padrões considerados normais são tratadas, além de discutir a ausência de representatividade e oportunidades no mercado artístico.
Segundo Sahel Oliveira, a montagem não pretende abordar a inclusão apenas como uma mensagem de conscientização, mas também questionar os comportamentos e estruturas que mantêm a exclusão.
“O solo é uma crítica. Não é uma questão de simplesmente dizer ‘vamos incluir’, mas de criticar a falta de inclusão e questionar as pessoas que se acham normais e perfeitas”, explica o ator.
Sahel também destaca que qualquer pessoa pode vivenciar situações relacionadas à deficiência ou à neurodivergência, seja diretamente ou por meio de familiares e amigos. A intenção, segundo ele, é estimular o público a refletir sobre essas experiências e sobre a necessidade de combater o preconceito.
Pesquisa acadêmica deu origem à montagem
A criação de “Terra de Sal” começou a partir de uma pesquisa acadêmica desenvolvida por Sahel Oliveira e Henrique Campelo. Ao longo dos últimos quatro anos, o trabalho investigou a presença de pessoas com deficiência e neurodivergentes no teatro e em outras áreas da produção artística.
A pesquisa também foi influenciada pela experiência pessoal de Sahel, que se identifica como uma pessoa neurodivergente e relata as dificuldades enfrentadas para construir uma trajetória profissional nas artes.
“‘Terra de Sal’ começou em uma pesquisa da faculdade, a partir de um questionamento sobre a falta de inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes no teatro e na arte de forma geral. Existe uma escassez muito grande de obras e de artistas que estão nos holofotes”, relata.
O ator afirma que a experiência pessoal contribuiu para transformar o questionamento acadêmico em uma proposta dramatúrgica voltada à crítica social.
A partir dessa investigação, a montagem passou a discutir não apenas a representatividade, mas também as barreiras que dificultam o acesso e a permanência desses artistas nos espaços culturais.
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Circos de horrores inspiram estética de ‘Terra de Sal’
Uma das referências históricas utilizadas na construção do espetáculo são os chamados circos de horrores, conhecidos por apresentar pessoas com características físicas consideradas incomuns como atrações para o entretenimento do público.
Essas práticas estão associadas a espetáculos de exibição humana que exploravam diferenças corporais e condições individuais como mercadoria. Entre as referências pesquisadas está Phineas Taylor Barnum, empresário norte-americano ligado à exploração comercial desse tipo de apresentação.
A dramaturgia também incorpora influências do Movimento Pânico, associado aos artistas Fernando Arrabal, Alejandro Jodorowsky e Roland Topor, além do teatro de horror do Grand-Guignol, representado pelo dramaturgo francês André de Lorde.
Essas referências contribuem para a construção de uma linguagem cênica que utiliza elementos do grotesco, do absurdo, do exagero e do horror.
Na história apresentada, a figura de um empresário circense concentra a discussão sobre exploração e desigualdade, ao transformar as condições e o sofrimento de outras pessoas em fonte de lucro.
Dessa forma, o espetáculo estabelece uma relação entre práticas históricas de exposição humana e os mecanismos contemporâneos de exclusão social.
Montagem terá audiodescrição e interpretação em Libras
Além da discussão sobre inclusão, a produção também prevê recursos de acessibilidade para ampliar a participação de diferentes públicos.
A montagem contará com consultoria de acessibilidade, audiodescrição, mediação de acessibilidade e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A proposta é oferecer diferentes possibilidades de acesso ao conteúdo artístico e contribuir para que pessoas com deficiência também possam acompanhar a apresentação.
A equipe de acessibilidade reúne Gorete Lima, responsável pela consultoria; Maria Fernanda Carmim, na audiodescrição; Lay Souza, na mediação de acessibilidade; e Ainã Palheta, na interpretação em Libras.
Confira datas, horários e locais das apresentações
O espetáculo terá duas apresentações em Manaus, ambas às 20h. A estreia será realizada no Centro da cidade, enquanto a segunda sessão ocorrerá na zona norte da capital.
Primeira apresentação — estreia
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Data: 23 de novembro de 2026.
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Horário: 20h.
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Local: Teatro Américo Alvarez.
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Endereço: Avenida Ramos Ferreira, nº 1572, Centro.
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Entrada: gratuita.
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Classificação indicativa: 16 anos.
Segunda apresentação
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Data: 28 de novembro de 2026.
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Horário: 20h.
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Local: Casa Teatro Taua-Caá.
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Endereço: Rua Santa Eliana, nº 19, bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus.
Grupo Fome desenvolve produção artística em Manaus
Responsável pela montagem, o Grupo Fome é um coletivo artístico de Manaus que desenvolve espetáculos e atividades formativas. O trabalho busca ocupar diferentes espaços, promover encontros e ampliar o acesso à arte e à cultura.
O projeto “Terra de Sal” é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Amazonas 2026), por meio do Edital de Multilinguagens.
O financiamento é do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, com execução do Governo do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
A produção reúne profissionais de diferentes áreas, incluindo dramaturgia, cenografia, iluminação, figurino, maquiagem, trilha sonora, comunicação e acessibilidade.
A direção artística, produção executiva e cenografia são assinadas por Henrique Campelo. A atuação e dramaturgia são de Sahel Oliveira, enquanto a consultoria artística é de Wellington Dias.








