Manaus voltou a aparecer entre as cidades brasileiras com pior qualidade do ar nesta quarta-feira (28), segundo dados da plataforma internacional IQAir divulgados pela imprensa. No interior do Amazonas, estações do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também registraram concentrações elevadas de partículas finas em municípios como Iranduba, Maués, Itacoatiara e Urucurituba.
Na manhã desta quarta-feira, a concentração de partículas PM2,5 chegou a 106,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em Iranduba. Em Manaus, uma estação localizada no bairro Morro da Liberdade registrou 81,8 µg/m³, conforme dados do Selva divulgados pelo portal Politiza Amazonas.
Interior do Amazonas registra índices elevados de poluição
Leituras divulgadas pelo Politiza Amazonas, com base no monitoramento do Selva, apontaram concentrações elevadas de PM2,5 em cinco localidades do estado. Os dados foram registrados por volta das 6h20 e correspondem a estações específicas, não a médias diárias dos municípios.
Confira os valores:
- Iranduba: 106,5 µg/m³;
- Maués: 88,4 µg/m³;
- Manaus, no Morro da Liberdade: 81,8 µg/m³;
- Itacoatiara: 73,4 µg/m³;
- Urucurituba: 60,2 µg/m³.
As partículas PM2,5 têm diâmetro de até 2,5 micrômetros e podem penetrar profundamente no sistema respiratório. Por isso, a concentração desse poluente é um dos indicadores utilizados no monitoramento da qualidade do ar.
Os dados do Selva devem ser interpretados considerando as características dos sensores utilizados. Segundo o sistema, os equipamentos são de baixo custo e fornecem informações indicativas, que não devem ser tratadas como medições regulatórias oficiais.
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Poluição do ar pode afetar a saúde
A exposição a partículas finas está associada a problemas respiratórios e cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os efeitos podem ocorrer tanto após exposições de curto prazo quanto em períodos prolongados.
A organização recomenda que a concentração média de PM2,5 não ultrapasse 15 µg/m³ em 24 horas. Essa referência, porém, não deve ser comparada diretamente com uma leitura pontual de uma estação, pois os períodos de medição são diferentes.
Durante episódios de fumaça intensa, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas precisam de atenção especial.
O Ministério da Saúde recomenda acompanhar os alertas oficiais, reduzir a exposição à fumaça, evitar exercícios físicos intensos ao ar livre nos períodos de maior concentração de poluentes e manter a hidratação.
Quando for necessário sair durante episódios intensos de fumaça, máscaras dos tipos PFF2, N95 ou P100, ajustadas corretamente ao rosto, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas. Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento médico.
Queimadas são uma das fontes de fumaça na região
A fumaça proveniente de queimadas é uma das fontes de partículas finas na atmosfera amazônica. No entanto, as medições da qualidade do ar, isoladamente, não permitem determinar a origem da fumaça registrada em Manaus nesta quarta-feira.
Em nota divulgada em 7 de outubro, a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de PM2,5 havia alcançado 114,6 µg/m³ na capital. Na ocasião, a administração municipal relacionou a presença de fumaça a queimadas em municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.
A prefeitura também informou que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia registrado 749 focos de calor no Amazonas naquele dia, dos quais dois estavam em Manaus. Esses números são referentes a 7 de outubro e não representam a situação registrada nesta quarta-feira (28).
Para identificar a origem de uma pluma de fumaça, é necessário cruzar informações sobre focos de calor, imagens de satélite, direção e velocidade dos ventos e condições meteorológicas.
Inpe registra focos de calor no Amazonas e em outros estados
Dados consultados no Programa Queimadas do Inpe para o período de 26 a 27 de outubro indicaram 77 focos de calor no Amazonas. No mesmo intervalo, foram registrados 1.369 focos no Pará, 628 no Maranhão e 341 no Tocantins.
Os focos de calor identificados por satélite não correspondem necessariamente ao número de incêndios distintos nem permitem calcular diretamente a área queimada. Esses registros também não comprovam, por si só, que a fumaça observada em Manaus tenha origem em um estado ou município específico.
A análise conjunta dos dados de satélite e das condições meteorológicas é necessária para avaliar possíveis relações entre os focos de calor e a poluição atmosférica na capital.
Órgãos públicos acompanham os impactos das queimadas
A qualidade do ar e os efeitos da fumaça já haviam motivado manifestações de órgãos públicos do Amazonas ao longo de outubro.
No dia 19, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) divulgou propostas para reforçar o combate às queimadas, aprimorar o monitoramento ambiental e ampliar a atenção aos impactos da poluição atmosférica sobre a saúde.
A Prefeitura de Manaus também informou, no início do mês, que acompanhava os indicadores de qualidade do ar e orientava a população a reduzir a exposição à fumaça durante os períodos de maior concentração.
Até o momento, as informações reunidas nesta apuração não confirmam a emissão de um novo alerta sanitário específico pela Prefeitura de Manaus ou pelo Governo do Amazonas nesta quarta-feira (28).
Como reduzir a exposição à fumaça
O Ministério da Saúde recomenda acompanhar os alertas oficiais e adotar medidas para diminuir o contato com os poluentes. Entre as orientações estão permanecer em ambientes internos nos períodos de maior concentração de fumaça, manter portas e janelas fechadas quando necessário e evitar atividades físicas intensas ao ar livre.
Pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem seguir as orientações dos profissionais de saúde que as acompanham. Crianças, idosos e gestantes também precisam de cuidados adicionais.
Em caso de dificuldade para respirar, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios, a recomendação é procurar atendimento médico.
Os dados divulgados nesta quarta-feira apontam concentrações elevadas de partículas finas em diferentes pontos do Amazonas. A evolução do cenário depende do monitoramento contínuo da qualidade do ar e das condições meteorológicas. A origem da fumaça registrada em Manaus, por sua vez, ainda precisa ser confirmada por meio de dados ambientais específicos.
*Foto: Dante Graça








