O Amazonas aparece em situação crítica quando o efetivo das forças de segurança é analisado à luz da extensão territorial do Estado. Dados da 2ª edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com informações de 2025, mostram que cada policial militar amazonense corresponde, em média, à cobertura de 180 km² de território, contra apenas 21 km² na média nacional. O Estado apresenta a maior pressão territorial sobre o efetivo da Polícia Militar entre as unidades da Federação.
Os números foram repercutidos pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), que voltou a defender maior investimento nas instituições de segurança pública e valorização dos profissionais. Para o parlamentar, a extensão territorial, as longas distâncias, a logística fluvial e a dispersão populacional tornam inadequada qualquer avaliação do efetivo amazonense baseada apenas no número de policiais por habitante.
Embora o Amazonas registre 2 policiais militares por mil habitantes, índice próximo da média nacional de 1,9, a realidade territorial é completamente diferente. O Estado possui 8.646 policiais militares ativos, diante de um quadro previsto de 15 mil cargos, o que representa ocupação de apenas 57,6% do efetivo legalmente previsto. Isso significa uma diferença de 6.354 policiais em relação ao quadro estabelecido.
“Não bastasse todo o déficit de contingente nas polícias Militar, Civil e Penal e nos Bombeiros Militares, o relatório do Fórum inclui o Amazonas entre os Estados com remuneração de soldado consideravelmente abaixo da média. Isso com datas-bases atrasadas, auxílio-fardamento pendente do pagamento de três anos e sem reajuste do vale-refeição. As pessoas reclamam da polícia. Mas elas deveriam reclamar do governo e da desvalorização da segurança”, afirmou Comandante Dan.
O estudo aponta que a remuneração bruta média de um soldado no Amazonas é de R$ 6.724,76, abaixo da média nacional de R$ 7.761,77. O Fórum inclui o Amazonas entre os Estados onde o salário médio do soldado está consideravelmente abaixo da média brasileira.
A situação de contingente é ainda mais severa quando se observa a Polícia Civil. O Amazonas possui 1.891 policiais civis em atividade, para um quadro previsto de 3.155 cargos. O efetivo existente corresponde a apenas 59,9% do previsto, deixando uma diferença de 1.264 profissionais.
Por população, são 0,4 policial civil por mil habitantes, abaixo da média nacional de 0,5. O maior problema, porém, novamente aparece na cobertura territorial: cada policial civil amazonense corresponde a uma área média de 824 km², enquanto a média brasileira é de apenas 88 km² por profissional. O próprio relatório descreve o índice do Amazonas como uma “marca crítica”, destacando as dificuldades de garantir investigação e atendimento policial em regiões remotas e ribeirinhas.
No Corpo de Bombeiros Militar, o quadro territorial é ainda mais grave. O Amazonas possui 1.335 bombeiros militares. Cada profissional corresponde, em média, à cobertura de 1.168 km², enquanto a média nacional é de 135 km² por bombeiro.
O Amazonas apresenta a pior relação territorial do país, muito acima do segundo colocado, Mato Grosso, com 610 km² por bombeiro. O Pará aparece com 495 km².
O dado ganha importância diante das características do Estado, onde as corporações precisam responder a incêndios, naufrágios, buscas, salvamentos, cheias, secas e outras emergências em localidades distantes e, muitas vezes, acessíveis apenas por rios ou por transporte aéreo.
A Polícia Penal apresenta uma particularidade no Amazonas. O relatório contabiliza apenas 39 policiais penais, diante de 35 cargos previstos. O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública ressalva que o número destoa do tamanho do sistema prisional estadual e explica que parte dos estabelecimentos é administrada sob modelo de terceirização, com participação da Polícia Militar na segurança.
O Amazonas tem a menor remuneração bruta média de policiais penais entre todas as unidades da Federação, de R$ 5.100,84. A média nacional é de R$ 9.876,76. A remuneração líquida média amazonense é de R$ 4.111,34.
Território e logística
Comandante Dan sustenta que os números reforçam uma pauta que tem apresentado reiteradamente na Assembleia Legislativa: o Amazonas não pode dimensionar sua política de segurança usando apenas critérios populacionais.
Na avaliação do parlamentar, fatores como extensão territorial, número de municípios, hidrografia, comunidades isoladas, fronteiras internacionais, tempo de deslocamento das equipes e necessidade de interiorização permanente precisam fazer parte da definição de efetivos, investimentos, estrutura e distribuição dos profissionais.
Raio-X
O próprio Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil alerta que a proporção de policiais por habitantes é insuficiente para avaliar Estados de grande extensão territorial e baixa densidade populacional, especialmente na Região Norte. No caso amazonense, a diferença entre a aparente normalidade do índice populacional e a enorme pressão territorial expõe o tamanho do desafio enfrentado pelas corporações.
Ao longo do mandato, Comandante Dan tem defendido o fortalecimento institucional das forças de segurança, a recomposição e melhor distribuição dos efetivos, a valorização salarial, o cumprimento das datas-bases e dos direitos funcionais e uma política de segurança pública planejada para as especificidades territoriais do Amazonas.
Cobrança de resultados
Para o deputado, cobrar resultados das forças sem oferecer estrutura, contingente, logística e valorização adequados significa transferir aos policiais e bombeiros a responsabilidade por problemas que dependem diretamente de decisões do poder público.
“Segurança pública não se faz apenas com cobrança. É preciso garantir gente suficiente, presença no interior, equipamentos, logística e valorização profissional. O Amazonas tem uma realidade que não cabe em uma média nacional. Quem protege a população também precisa ser protegido e respeitado pelo Estado”, defendeu.








