Desmatamento na Amazônia cai 37,2% nos alertas do DETER

desmatamento

Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 37,2% entre agosto de 2025 e junho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados em 10 de julho. No período, o sistema DETER registrou 2.485,90 km² de alertas, contra 3.959,98 km² no mesmo intervalo do calendário anterior.

A redução corresponde aos 11 primeiros meses do calendário de monitoramento 2025/2026, que começou em agosto de 2025 e termina em julho de 2026. Em junho, especificamente, os alertas somaram 297,26 km², queda de 35% em relação aos 457,61 km² registrados no mesmo mês de 2025.

INPE registra queda nos alertas

Os números são produzidos pelo DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), ferramenta do INPE vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O sistema utiliza imagens de satélite para identificar rapidamente áreas com sinais de supressão ou degradação da vegetação nativa. Os dados são disponibilizados para auxiliar órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle ambiental.

Na comparação entre os períodos de agosto de 2025 a junho de 2026 e agosto de 2024 a junho de 2025, foram identificados 1.474,08 km² a menos em alertas na Amazônia.

O resultado representa uma redução de 37,2% no indicador para o período analisado.

Junho teve 297,26 km² de alertas

Somente em junho de 2026, o DETER identificou 297,26 km² de alertas de desmatamento na Amazônia.

No mesmo mês de 2025, foram registrados 457,61 km². A diferença representa uma redução de 160,35 km², ou 35%.

O dado de junho é o mais recente disponibilizado pelo INPE até o momento da publicação desta matéria.

O mês também corresponde ao 11º período do calendário de monitoramento 2025/2026. O ciclo será encerrado após a consolidação dos dados referentes a julho.

O que é o DETER

O DETER foi desenvolvido para fornecer informações rápidas sobre alterações na cobertura vegetal.

Segundo o INPE, o sistema produz avisos diários de supressão, desmatamento e degradação da vegetação nativa a partir de imagens captadas por sensores instalados em satélites.

Os dados são utilizados principalmente para orientar ações de fiscalização e controle realizadas pelos órgãos competentes.

Por isso, o INPE faz uma ressalva importante: os alertas do DETER não constituem uma taxa mensal de desmatamento. O indicador serve para apontar tendências e auxiliar na identificação de áreas que podem demandar fiscalização.

Essa distinção é necessária para evitar que a redução de 37,2% seja interpretada como uma queda equivalente na área anual efetivamente desmatada.

Leia também: Alertas de desmatamento caem 37% na Amazônia e 8% no Cerrado

PRODES mede a taxa anual

A taxa oficial anual de desmatamento na Amazônia Legal é calculada pelo PRODES, também desenvolvido pelo INPE.

Diferentemente do DETER, o PRODES utiliza imagens de maior resolução espacial para realizar o levantamento anual da área de floresta que sofreu corte raso. A série histórica do sistema começou em 1988.

O calendário do PRODES também possui uma metodologia própria, que não coincide exatamente com a comparação mensal do DETER.

Por isso, os números dos dois sistemas não devem ser tratados como equivalentes.

PRODES registrou queda de 11,08% em 2025

O dado anual mais recente consolidado pelo PRODES aponta que a Amazônia Legal teve 5.796 km² de desmatamento entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025.

O resultado representa uma queda de 11,08% em relação aos 6.518 km² registrados no período anterior.

O levantamento considera os nove estados que compõem a Amazônia Legal brasileira.

Segundo o INPE, o resultado de 2025 foi obtido por meio do monitoramento anual da supressão de vegetação nativa por sensoriamento remoto, dentro do programa BiomasBR.

Por que os dois números são diferentes?

A diferença entre os indicadores está relacionada à finalidade e à metodologia de cada sistema.

O DETER é voltado à identificação rápida de alterações na vegetação e à emissão de alertas para apoiar ações de fiscalização.

O PRODES, por sua vez, realiza o levantamento anual utilizado para calcular a taxa oficial de desmatamento da Amazônia Legal.

Assim, uma redução de 37,2% nos alertas do DETER não significa que a taxa anual do PRODES tenha necessariamente caído na mesma proporção.

Para a cobertura jornalística, os dois indicadores devem ser apresentados separadamente, com indicação do período e da metodologia utilizada.

Redução também aparece em maio

Antes da atualização de junho, o INPE havia divulgado, em 12 de junho, que os alertas de desmatamento na Amazônia tinham caído 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026.

Naquele momento, o instituto informou que o resultado representava o menor valor da série histórica do DETER para o período de dez meses analisado.

Com a inclusão dos dados de junho, a redução acumulada passou para 37,2%.

A alteração ocorre porque o cálculo passa a incorporar um novo mês de monitoramento e compara os dois períodos equivalentes.

Dados são usados na fiscalização ambiental

A função do DETER não se limita à produção de estatísticas.

Segundo o INPE, os alertas são disponibilizados para subsidiar as ações de fiscalização e controle realizadas pelos órgãos responsáveis pela proteção ambiental.

As informações são organizadas e disponibilizadas na plataforma Terra Brasilis, que reúne séries históricas, mapas interativos e arquivos para consulta e download.

O acesso público permite que órgãos governamentais, pesquisadores, instituições e sociedade acompanhem a evolução dos indicadores.

Monitoramento depende de imagens de satélite

O sistema DETER utiliza informações obtidas por sensores instalados em satélites.

Na atualização referente a junho de 2026, o INPE informou que os avisos foram produzidos a partir de imagens dos sensores WFI, instalados nos satélites CBERS-04, CBERS-04A e Amazônia-1.

A tecnologia permite que áreas com sinais de alteração da cobertura vegetal sejam identificadas com maior rapidez.

A agilidade é importante para que as informações possam ser utilizadas em ações de campo e no direcionamento das equipes de fiscalização.

Amazônia ainda concentra área significativa de alertas

Apesar da queda registrada, o acumulado de agosto de 2025 a junho de 2026 chegou a 2.485,90 km² de alertas na Amazônia.

O número representa uma área equivalente a aproximadamente 248,6 mil hectares.

No período equivalente anterior, o DETER havia registrado 3.959,98 km² de alertas. A diferença entre os dois períodos foi de 1.474,08 km².

Os dados, portanto, mostram redução no indicador, mas não significam ausência de novos registros de desmatamento.

Resultado precisa ser analisado junto com o PRODES

Para acompanhar a evolução do desmatamento na Amazônia de maneira mais completa, os dados do DETER precisam ser considerados junto às informações anuais do PRODES.

O DETER permite acompanhar tendências e localizar rapidamente áreas com alterações na vegetação.

Já o PRODES fornece a taxa anual oficial utilizada pelo governo federal para acompanhar a evolução do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal.

A combinação dos dois sistemas permite acompanhar tanto a dinâmica mais recente quanto o resultado consolidado do desmatamento.

Próximo dado anual será do ciclo 2025/2026

O calendário atual do DETER termina em julho de 2026.

Com a divulgação dos dados desse mês, será possível comparar os 12 meses do calendário 2025/2026 com o período equivalente anterior.

Até o momento, o dado mais atualizado indica queda de 37,2% nos alertas acumulados entre agosto de 2025 e junho de 2026.

A taxa anual oficial de desmatamento, entretanto, continuará sendo aquela calculada pelo PRODES de acordo com sua própria metodologia.

O que os dados mostram

Os dados oficiais do INPE confirmam uma redução dos alertas de desmatamento na Amazônia no calendário de monitoramento em andamento.

Entre agosto de 2025 e junho de 2026, foram registrados 2.485,90 km², contra 3.959,98 km² no período equivalente anterior. A queda foi de 37,2%.

No indicador anual do PRODES, o desmatamento da Amazônia Legal caiu 11,08% em 2025, de 6.518 km² para 5.796 km².

Os números são diferentes porque os sistemas possuem metodologias e objetivos distintos.

Para a população, os dados são relevantes porque integram o sistema oficial de acompanhamento da cobertura florestal e servem de base para políticas públicas de fiscalização, controle e conservação da vegetação nativa.

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