A pesca esportiva no Amazonas movimenta a cadeia do turismo, gera renda para municípios do interior e vem sendo tratada por órgãos públicos como uma atividade com potencial para conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) indicam que o segmento movimenta cerca de R$ 500 milhões em receitas diretas e indiretas no estado e atrai aproximadamente 30 mil turistas por temporada.
A atividade também faz parte de uma cadeia econômica nacional em expansão. Segundo o Ministério do Turismo, a pesca esportiva reúne cerca de 8 milhões de praticantes no Brasil, movimenta até R$ 3 bilhões por ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. O governo federal passou a tratar o segmento como um dos produtos estratégicos do turismo de natureza.
No Amazonas, a discussão sobre o fortalecimento da atividade também ganhou espaço no debate político de 2026. O engenheiro civil e ex-secretário estadual Marcellus Campêlo defende a ampliação de políticas públicas voltadas ao turismo de pesca como uma das alternativas para gerar emprego e renda no interior, segundo propostas apresentadas por sua pré-campanha.
Pesca esportiva no Amazonas movimenta cadeia turística
A dimensão econômica da atividade é registrada pela própria Amazonastur. Em publicação de dezembro de 2023, a empresa estadual informou que a pesca esportiva movimentava aproximadamente R$ 500 milhões em receita e atraía mais de 30 mil turistas por temporada.
Naquele período, a Amazonastur também destacou a aprovação do Projeto de Lei nº 249/2023, que regulamentou a atividade econômica da pesca esportiva do tucunaré e criou o Fundo Estadual de Incentivo à Pesca Esportiva (FEIPE).
A regulamentação estabeleceu regras para a atividade, incluindo o cadastramento e o licenciamento de associações e operadores turísticos de pesca não comercial.
Entre as espécies contempladas estão o tucunaré-açu, o tucunaré-vazzoleri e o tucunaré-pinima. A legislação também estabeleceu regras relacionadas ao período de defeso e à proteção dos estoques pesqueiros.
Em outro levantamento, publicado em 2023, a Amazonastur informou que o Amazonas recebia mais de 30 mil turistas por ano para a prática da pesca esportiva. A estimativa de movimentação econômica também era de aproximadamente R$ 500 milhões anuais, considerando os efeitos diretos e indiretos da atividade.
Barcelos é um dos principais destinos
Entre os municípios amazonenses mais associados ao turismo de pesca está Barcelos, no Médio Rio Negro. Segundo a Amazonastur, o município é um dos principais destinos nacionais para a modalidade e tem como principal atrativo o tucunaré-açu.
A cidade está localizada a aproximadamente 405 quilômetros de Manaus, na margem direita do Rio Negro. De acordo com a empresa estadual de turismo, a temporada de pesca esportiva em Barcelos ocorre entre setembro e fevereiro do ano seguinte.
A estrutura turística relacionada à atividade envolve hotéis, pousadas, barcos-hotéis, restaurantes, transportadores, guias e outros prestadores de serviços.
O próprio município de Barcelos informa que recebe turistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior durante a temporada de pesca. A atividade é realizada principalmente no Rio Negro e em seus afluentes, incluindo a região do Arquipélago de Mariuá.
Modelo de pesque e solte
Um dos elementos associados à pesca esportiva é o sistema conhecido como “pesque e solte”. Nesse modelo, o peixe capturado é devolvido ao ambiente após procedimentos como retirada do anzol, medição e registro fotográfico.
A prática é apresentada por órgãos estaduais como uma forma de reduzir a pressão sobre os estoques pesqueiros quando realizada dentro das regras ambientais estabelecidas.
A própria Amazonastur recomenda o chamado “catch and release” como forma de contribuir para a preservação da fauna aquática em seu material oficial de turismo sobre o Amazonas.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também reforça que a atividade precisa seguir regras ambientais e que pescadores, barcos-hotéis, hotéis de selva e demais empreendimentos turísticos devem observar os procedimentos de regularização.
Em orientação publicada em 2025, o órgão destacou que a regularização é necessária para a conservação dos recursos pesqueiros e para a realização do turismo de maneira responsável.
Turismo gera impacto no interior
O impacto econômico da pesca esportiva não se limita aos operadores especializados. A cadeia envolve diferentes serviços utilizados pelos visitantes durante a viagem.
A chegada de turistas movimenta hospedagem, alimentação, transporte fluvial, comércio, contratação de guias e serviços relacionados às embarcações.
Em 2023, a Amazonastur informou que havia realizado ações de qualificação de profissionais que atuavam como condutores de pesca esportiva. O programa previa capacitação de piloteiros para melhorar a prestação de serviços aos turistas.
A empresa estadual também já apontou a pesca esportiva como um segmento relevante para o turismo no interior. Em 2020, uma pesquisa da Amazonastur mostrou que 57% dos empresários consultados consideravam o turismo de pesca o segmento mais forte naquele momento.
Outro dado apresentado pela Amazonastur naquele período estimava em mais de R$ 80 milhões a receita gerada pela temporada de pesca esportiva na Calha do Rio Negro. O número, porém, corresponde a uma estimativa de 2020 e não deve ser confundido com as projeções posteriores de R$ 500 milhões.
Leia também: Circuito de Pesca Esportiva reúne mais de 100 competidores em Presidente Figueiredo
Ministério do Turismo aponta crescimento nacional
A relevância econômica da pesca esportiva também aparece nos dados federais mais recentes.
Em março de 2026, o Ministério do Turismo informou que o segmento reúne aproximadamente 8 milhões de praticantes no país, movimenta até R$ 3 bilhões anualmente e gera cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos.
O ministério também apresentou o Fundo Geral do Turismo (Fungetur) como uma ferramenta de financiamento para empreendimentos relacionados à cadeia da pesca esportiva.
A política federal está relacionada ao Plano Nacional de Turismo 2024–2027 e inclui ações de desenvolvimento de produtos e experiências turísticas, qualificação, inovação e competitividade.
O Ministério do Turismo e o Ministério da Pesca e Aquicultura também vêm articulando ações para promover o crescimento ordenado da atividade, com foco no uso responsável dos recursos naturais.
Marcellus Campêlo defende políticas permanentes
No debate político estadual, Marcellus Campêlo, ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), apresenta a pesca esportiva como uma alternativa para ampliar oportunidades econômicas no interior.
Segundo a proposta divulgada por sua equipe, o objetivo é associar turismo, preservação ambiental e geração de renda para comunidades que vivem próximas aos rios.
Campêlo afirma que o Amazonas pode ampliar a atividade por meio de planejamento, investimentos e participação das comunidades. A proposta integra sua plataforma política e, portanto, deve ser apresentada como posicionamento do candidato, e não como política pública já implantada.
O ex-secretário também defende que a conservação dos recursos naturais seja incorporada ao planejamento econômico da atividade.
Pesca esportiva depende de regulamentação
Apesar do potencial econômico, a atividade está sujeita a regras ambientais e de ordenamento. O Ipaam orienta que pescadores e empreendimentos turísticos observem as normas vigentes e mantenham a regularização necessária para operar.
No caso do tucunaré, o Amazonas adotou regras específicas para a pesca esportiva. A regulamentação estadual estabeleceu áreas de prática, períodos de defeso e mecanismos de cadastro e licenciamento dos operadores.
A legislação também considera a conservação dos estoques pesqueiros uma condição para a continuidade da atividade turística.
Para municípios que recebem visitantes durante a temporada, a preservação dos rios e das espécies está diretamente relacionada à manutenção do próprio produto turístico.
Amazonas busca ampliar turismo de natureza
O cenário coloca a pesca esportiva no Amazonas dentro de uma estratégia mais ampla de turismo de natureza, segmento que envolve também ecoturismo e turismo de base comunitária.
O Ministério do Turismo destaca que a atividade pode contribuir para ampliar a permanência dos visitantes e distribuir os efeitos econômicos do turismo em regiões com forte presença de comunidades tradicionais.
No estado, Barcelos permanece como uma das principais referências, especialmente pela pesca do tucunaré-açu. A Amazonastur também aponta outros municípios com condições favoráveis à modalidade, entre eles Presidente Figueiredo, Apuí, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Nhamundá e Santa Isabel do Rio Negro.
A expansão da atividade, entretanto, depende de regras ambientais, estrutura turística, qualificação profissional e planejamento para evitar impactos sobre os recursos naturais.
Com números oficiais que apontam movimentação de até R$ 500 milhões no Amazonas e até R$ 3 bilhões no Brasil, a pesca esportiva passou a ocupar espaço nas discussões sobre turismo, economia regional e conservação ambiental. No Amazonas, o desafio apresentado pelas instituições públicas é ampliar os benefícios econômicos sem comprometer os rios e os estoques pesqueiros que sustentam a própria atividade.








