Flávio dino divulga relatório com ameaças contra ministros do STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira (9 de outubro de 2026), em seu perfil verificado no Instagram, trechos de um relatório de segurança que reúne milhares de mensagens publicadas na internet com ameaças de agressões físicas e assassinato contra integrantes da Corte. Segundo o magistrado, o material foi produzido pela área de segurança do próprio Supremo e registra manifestações direcionadas a ministros do tribunal.

Nas publicações, aparecem ameaças contra Dino e outros integrantes do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Uma das mensagens afirma que Dino seria o primeiro a ser fuzilado. Em outra, o autor defende a invasão do tribunal e faz referência à execução de ministros. Os autores das mensagens tiveram suas identidades ocultadas nas imagens divulgadas.

Relatório reúne milhares de mensagens com ameaças

Ao apresentar o material, Flávio Dino afirmou que recebeu trechos de um relatório de segurança do STF com registros de ameaças de assassinato e de diferentes formas de agressão.

“Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas”, escreveu o ministro na rede social.

Uma das mensagens reproduzidas no perfil de Dino afirma que ele seria “o primeiro a ser fuzilado”, associando a ameaça a decisões relacionadas ao acesso a armas. Outra publicação menciona a possibilidade de invadir o STF e agredir ministros.

O material divulgado não identifica publicamente os autores das mensagens. Também não apresenta, no conteúdo reproduzido pela Agência Brasil, informações detalhadas sobre a quantidade exata de ameaças direcionadas individualmente a cada ministro ou sobre a identificação de suspeitos.

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Dino relaciona ameaças à disseminação de mentiras

Na publicação, o ministro afirmou que considera a repetição de informações falsas um fator associado às mensagens violentas. A avaliação foi apresentada por ele na legenda das imagens do relatório.

Dino também defendeu que pessoas que discordam de decisões judiciais utilizem os instrumentos legais de contestação, em vez de recorrer a ameaças ou manifestações que incentivem agressões.

“Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”, declarou.

O magistrado afirmou que as ameaças não alterarão sua atuação profissional no Supremo. Na mesma publicação, ressaltou que o Judiciário precisa preservar a independência de seus integrantes para que possam decidir processos sem intimidação pessoal.

“Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, escreveu.

Ameaças contra ministros são investigadas desde 2019

A divulgação do relatório ocorre em um contexto de ameaças contra integrantes do STF que, segundo a Agência Brasil, são registradas ao menos desde 2019. Naquele ano, o então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura de uma investigação de ofício para apurar ameaças e ataques relacionados aos ministros.

O procedimento ficou conhecido como Inquérito das Fake News e permanece em andamento, conforme as informações publicadas pela Agência Brasil.

A investigação foi instaurada para apurar a disseminação de notícias fraudulentas, denúncias caluniosas, ameaças e outros ataques que envolvem integrantes do tribunal e seus familiares. O procedimento tornou-se um dos principais focos de debate jurídico e institucional sobre a atuação do Supremo no enfrentamento de ataques e ameaças contra a Corte.

A existência do inquérito, contudo, não significa que todas as mensagens apresentadas no relatório divulgado por Dino estejam necessariamente incluídas no mesmo procedimento. O material publicado pelo ministro não detalha quais ameaças já são objeto de investigações específicas nem informa se houve abertura de novos inquéritos a partir dos registros apresentados.

Ministro defende contestação judicial sem violência

Na manifestação, Dino reiterou que decisões judiciais podem ser contestadas pelos meios previstos no sistema de Justiça. O ministro destacou que a discordância em relação a uma decisão não justifica ameaças, perseguições ou agressões contra quem a proferiu.

A divulgação das mensagens também chama atenção para a segurança de autoridades públicas e para o uso de redes sociais na propagação de ameaças. A apuração da autoria, da origem e das circunstâncias de cada manifestação depende do trabalho das autoridades competentes.

Até as informações publicadas pela Agência Brasil na manhã de sexta-feira (9), não havia detalhamento público sobre a identificação dos responsáveis pelas mensagens reproduzidas no perfil de Dino ou sobre eventuais medidas adotadas especificamente em relação a cada ameaça.

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