Greve dos rodoviários em Manaus volta a preocupar passageiros

greve

A greve que ocorreu em julho teve início em meio a um conflito envolvendo o pagamento dos trabalhadores do transporte coletivo e questões financeiras relacionadas ao sistema.

Em 22 de julho, o prefeito de Manaus, Renato Junior, afirmou que havia ocorrido um repasse de R$ 18 milhões do Governo do Amazonas ao Sinetram. Segundo a Prefeitura, o valor correspondia a parte dos recursos relacionados ao custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual.

Na mesma ocasião, o prefeito cobrou das empresas o pagamento imediato de salários que estivessem em atraso e pediu ao sindicato dos trabalhadores o encerramento da paralisação.

Horas depois, o IMMU informou oficialmente que a greve havia chegado ao fim. O órgão afirmou ter acompanhado a retomada da circulação por meio do sistema de GPS dos ônibus que operam na cidade.

A retomada da frota permitiu a normalização do transporte coletivo para os usuários de Manaus, que dependem dos ônibus para deslocamentos ao trabalho, escolas, unidades de saúde e demais atividades cotidianas.

Tribunal determinou circulação mínima durante paralisação

Durante a greve de julho, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) também interveio no conflito.

Em decisão liminar concedida na noite de 20 de julho, o tribunal determinou que o STTRM mantivesse 80% da frota circulando nos horários de pico, entre 6h e 9h e das 17h às 20h.

Nos demais horários, a decisão determinou circulação mínima de 50% dos ônibus. O descumprimento da ordem poderia resultar em multa de R$ 120 mil por hora de paralisação.

A decisão foi assinada pelo desembargador David Alves de Mello Júnior, vice-presidente do TRT-11. O processo tratava do dissídio coletivo de greve envolvendo o sindicato dos trabalhadores e o Sinetram.

Segundo o tribunal, o Sinetram alegou que o movimento havia sido realizado sem o aviso prévio de 72 horas aos empregadores e à população e sem a manutenção dos serviços indispensáveis exigidos pela legislação.

O TRT-11 classificou a greve como abusiva naquela decisão e determinou a retomada da circulação mínima dos ônibus.

Leia também: Transporte coletivo opera sob tensão em Manaus após ameaça de greve

Prefeitura diz não ter débitos de 2026

Outro ponto do conflito envolve os valores relacionados ao sistema de transporte coletivo.

Em nota publicada em 20 de julho, um dia antes da decisão do TRT-11, a Prefeitura de Manaus afirmou que não possuía débitos referentes ao exercício de 2026 junto ao Sinetram.

Segundo o IMMU, os pagamentos municipais daquele ano estavam sendo executados regularmente. A administração municipal também afirmou que vinha mantendo diálogo com os sindicatos envolvidos na questão.

No dia seguinte, a Prefeitura apresentou números referentes ao passivo de 2025. Segundo o município, o valor total chegava a R$ 150.403.804,40.

Desse montante, aproximadamente R$ 91 milhões foram apontados como responsabilidade financeira do Governo do Amazonas, enquanto cerca de R$ 59 milhões corresponderiam à Prefeitura de Manaus.

O município informou ainda que havia realizado, até aquele momento de 2026, repasses de R$ 284,7 milhões destinados à manutenção da operação do transporte coletivo urbano.

O que pode provocar uma nova paralisação

A possibilidade de uma nova greve dos rodoviários em Manaus está relacionada à continuidade das negociações entre trabalhadores, empresas e representantes do poder público.

Entretanto, é importante diferenciar uma ameaça ou discussão sindical de uma paralisação oficialmente convocada.

Até a publicação desta reportagem, não foi localizada nas fontes oficiais consultadas uma comunicação que estabeleça uma nova data para paralisação geral dos ônibus em Manaus.

Por isso, não é possível afirmar que os trabalhadores irão parar novamente ou que o transporte coletivo será interrompido nos próximos dias.

A situação pode mudar caso o sindicato anuncie formalmente um novo movimento ou caso as negociações entre as partes não avancem.

Sinetram e trabalhadores estão no centro do conflito

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus e Região Metropolitana (STTRM) representa os trabalhadores envolvidos nas negociações.

Do outro lado está o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), entidade que representa as empresas que operam o sistema de transporte coletivo.

A Prefeitura de Manaus, por meio do IMMU, também participa das discussões, especialmente em razão da responsabilidade municipal sobre a organização e fiscalização do transporte coletivo urbano.

A relação entre as três partes é relevante porque uma paralisação dos trabalhadores pode afetar diretamente a circulação dos ônibus, enquanto as questões financeiras do sistema envolvem recursos públicos e obrigações das empresas.

Histórico recente de paralisações

O conflito não começou em julho. Em maio de 2026, uma paralisação que havia sido anunciada para o dia 22 foi suspensa após uma mediação da Prefeitura de Manaus.

Na ocasião, o IMMU informou que trabalhadores e empresas concordaram em retomar as conversas e buscar uma solução para as reivindicações.

O TRT-11 também havia estabelecido, naquele episódio, regras para garantir a circulação mínima dos ônibus durante eventual paralisação.

A decisão determinava a manutenção de 80% da frota nos horários de pico e 50% nos demais períodos, justamente por se tratar de serviço essencial para a população.

A repetição de conflitos ao longo do ano mostra que as negociações entre trabalhadores e empresas continuam sendo acompanhadas pelas autoridades responsáveis pelo transporte e pela Justiça do Trabalho.

Impacto para quem utiliza ônibus em Manaus

Uma nova paralisação, caso seja oficialmente convocada, poderá afetar diretamente passageiros que utilizam o transporte coletivo diariamente.

Entre os impactos estão possíveis dificuldades para chegar ao trabalho, escolas, universidades, unidades de saúde, repartições públicas e estabelecimentos comerciais.

Por se tratar de um serviço essencial, eventuais movimentos grevistas precisam observar as determinações judiciais e os percentuais mínimos de circulação estabelecidos pela Justiça do Trabalho.

No caso da decisão de julho, o TRT-11 determinou a circulação de pelo menos 80% da frota nos períodos de maior demanda e 50% nos demais horários.

Situação do transporte coletivo nesta sexta-feira

A Prefeitura de Manaus informou em 22 de julho que a greve havia terminado e que a frota havia retornado integralmente às ruas.

Até esta sexta-feira (31), a informação oficial disponível aponta para a normalização do sistema após a paralisação de julho.

Ao mesmo tempo, os conflitos envolvendo salários, repasses e financiamento do transporte continuam sendo acompanhados por trabalhadores, empresas, Prefeitura e Justiça do Trabalho.

Caso o STTRM anuncie uma nova paralisação, a população deverá acompanhar as informações oficiais sobre a data de início, eventual decisão judicial e percentual mínimo de ônibus que deverá permanecer em circulação.

Até o momento, não há confirmação oficial consultada pelo Portal Furacão de Notícias sobre uma nova greve dos rodoviários em Manaus.

*Matéria em atualização

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