SUS Digital oferece escuta em saúde mental para jovens

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A plataforma Pode Falar passou a integrar o aplicativo Meu SUS Digital e oferece acolhimento, escuta qualificada e orientação em saúde mental para pessoas de 13 a 24 anos em todo o Brasil. A novidade foi divulgada pelo Ministério da Saúde em 30 de julho de 2026 e busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens a um primeiro atendimento sem a necessidade de deslocamento imediato a uma unidade de saúde.

Atualmente, o serviço registra uma média de 1,1 mil atendimentos por mês. Com a integração ao aplicativo oficial do Sistema Único de Saúde (SUS), a expectativa do Ministério da Saúde é elevar esse número para aproximadamente 11 mil atendimentos mensais.

Como funciona o Pode Falar

O Pode Falar é uma plataforma voltada exclusivamente para pessoas entre 13 e 24 anos. O serviço oferece um espaço digital de acolhimento e orientação, com possibilidade de atendimento anônimo, caso essa seja a preferência do usuário.

Para acessar, é necessário entrar no aplicativo Meu SUS Digital e selecionar a opção “Pode Falar”, disponível na área de miniaplicativos. A partir daí, o usuário é direcionado para o ambiente da plataforma.

O atendimento funciona de segunda-feira a sábado, das 8h às 22h, considerando o horário de Brasília. A ferramenta foi incorporada ao aplicativo para facilitar o acesso de jovens que ainda não buscaram atendimento presencial ou encontram dificuldades para chegar aos serviços de saúde.

O primeiro contato ocorre por meio de um chatbot, que funciona como uma etapa inicial de escuta digital. Nesse ambiente, também são disponibilizados conteúdos sobre saúde mental em linguagem acessível.

A partir da necessidade apresentada ou da solicitação do próprio usuário, a conversa pode ser encaminhada para atendimento humano, realizado por meio de escuta qualificada.

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Inteligência artificial ajuda a identificar situações de risco

A plataforma também utiliza tecnologia para auxiliar na identificação de situações que podem demandar atendimento prioritário.

Segundo o Ministério da Saúde, uma ferramenta de inteligência artificial analisa as mensagens dos usuários que aguardam atendimento. Quando são identificados indícios de risco elevado, o sistema envia um alerta para a equipe responsável.

A finalidade é permitir que os casos classificados como de maior risco recebam prioridade na fila de atendimento. O recurso tecnológico funciona como apoio ao trabalho das equipes e integra o sistema de triagem da plataforma.

O uso da ferramenta não substitui a avaliação profissional. O atendimento humano continua sendo realizado por integrantes da equipe responsável pelo serviço, dentro dos protocolos estabelecidos.

Quem realiza os atendimentos

Os teleatendimentos são realizados por estudantes de graduação e pós-graduação de áreas relacionadas ao cuidado, entre elas psicologia, medicina e educação.

De acordo com o Ministério da Saúde, esses estudantes atuam sob supervisão de professores, recebem formação contínua e seguem protocolos específicos para lidar com as diferentes situações apresentadas pelos usuários.

A estrutura permite que o Pode Falar funcione como uma porta de entrada digital para acolhimento e orientação. Quando a situação exige acompanhamento presencial, o próprio Ministério da Saúde orienta que o usuário procure a rede do SUS.

Parceria entre Ministério da Saúde e UNICEF

A ampliação do Pode Falar é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A iniciativa faz parte das estratégias para fortalecer o cuidado em saúde mental de adolescentes e jovens dentro do Sistema Único de Saúde. O serviço já possui histórico de atuação antes de sua integração ao Meu SUS Digital.

Segundo o UNICEF, o Pode Falar foi criado em 2021, em parceria com o Núcleo do Cuidado Humano da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Ao longo dos primeiros anos, a iniciativa funcionou como canal virtual gratuito de apoio e escuta para adolescentes e jovens.

Em 2022, o UNICEF informou que o Pode Falar já havia registrado mais de 35 mil acessos. Naquele período, o serviço funcionava por meio de chatbot e oferecia conteúdos de autocuidado, depoimentos e atendimento humano.

Serviço já atende jovens em todo o país

A integração ao Meu SUS Digital amplia a visibilidade de um serviço que já era utilizado por adolescentes e jovens. Em 2022, o UNICEF informou que mais de 42 mil adolescentes e jovens de 13 a 24 anos já haviam acessado o Pode Falar.

Dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o serviço realiza atualmente cerca de 1,1 mil atendimentos mensais. A previsão é que a presença dentro do aplicativo oficial do SUS contribua para ampliar a procura e leve o número para cerca de 11 mil atendimentos por mês.

O aumento estimado representa uma expansão de aproximadamente dez vezes na quantidade média mensal de atendimentos. O objetivo informado pelo governo é reduzir barreiras de acesso ao cuidado em saúde mental.

Dados sobre saúde mental entre adolescentes

A ampliação do serviço ocorre em um contexto de preocupação com indicadores de saúde mental entre adolescentes brasileiros.

Dados de 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados pelo UNICEF, apontam que 28,9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram sentir tristeza na maior parte do tempo.

Ainda segundo os dados apresentados pelo UNICEF, 32% dos estudantes afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 30 dias anteriores à pesquisa.

O levantamento também apontou que 18,5% disseram sentir que a vida não valia a pena ser vivida. Entre meninas, o percentual informado foi de 25%, enquanto entre meninos chegou a 12%.

Esses números fazem parte da base utilizada pelo UNICEF e pelo Ministério da Saúde para contextualizar a necessidade de ampliar estratégias de acesso ao cuidado em saúde mental para adolescentes e jovens.

Quando procurar atendimento presencial

O Ministério da Saúde orienta que o Pode Falar não substitui os serviços presenciais do SUS quando há necessidade de avaliação ou acompanhamento clínico.

A recomendação é procurar atendimento presencial quando o sofrimento psíquico for persistente ou começar a prejudicar atividades do cotidiano, como rotina, estudos, trabalho e relações pessoais.

Em situações de crise ou quando houver necessidade de cuidado especializado, a orientação é buscar a rede de saúde.

Como funciona o atendimento pelo SUS

O Ministério da Saúde informa que o atendimento em saúde mental no SUS é organizado de acordo com as necessidades e a condição clínica de cada paciente.

A porta de entrada para o cuidado pode ser a Atenção Primária à Saúde, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para serviços especializados.

Dessa forma, o Pode Falar atua como uma alternativa digital de acolhimento e orientação para adolescentes e jovens, enquanto a rede presencial permanece responsável pela continuidade do cuidado quando a situação exige acompanhamento profissional.

Como acessar o serviço

O acesso ao Pode Falar é feito pelo Meu SUS Digital. O usuário deve abrir o aplicativo, procurar a área de miniaplicativos e selecionar a opção “Pode Falar”.

Depois, será direcionado para a plataforma, onde poderá iniciar o contato pelo chatbot. O serviço funciona de segunda a sábado, das 8h às 22h, no horário de Brasília, e permite atendimento anônimo quando essa for a escolha do usuário.

A iniciativa representa mais uma alternativa de acesso a informações, acolhimento e orientação em saúde mental para jovens, especialmente para aqueles que ainda não chegaram aos serviços presenciais do SUS.

Link para baixar o app na sua loja de aplicativos:

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