Como a crítica avalia Mestres do Universo, chega no Prime Video



Quem foi criança nos anos 80 dificilmente passou ileso pelo fenômeno Mestres do Universo. No auge da franquia, os bonecos de He-Man movimentavam mais de US$ 400 milhões por ano, chegaram a superar as vendas da Barbie dentro da Mattel e transformaram a marca em um dos maiores sucessos da indústria de brinquedos. Agora, décadas depois, essa nostalgia ganha uma nova tentativa de conquistar o público com o live-action que estreia no Prime Video.

A boa notícia é que o diretor Travis Knight entende exatamente o que tornou a franquia tão querida. Em vez de tentar transformar He-Man em um épico solene ou em uma fantasia excessivamente séria, o filme assume desde o início sua natureza exagerada. Eternia continua sendo um mundo de guerreiros musculosos, vilões caricatos, criaturas improváveis e aventuras grandiosas. E a produção faz questão de rir de tudo isso junto com o espectador, sem jamais parecer envergonhada de sua própria origem. Essa talvez seja sua maior qualidade.

Como observou a crítica de cinema Isabela Boscov, o longa abraça a “galhofa” em vez de fugir dela. Glenn Kenny, do New York Times, faz uma leitura semelhante ao destacar que o humor autoconsciente nunca demonstra desprezo pelo material original, mas funciona como uma maneira de celebrar o universo criado nos anos 80. O resultado é um filme leve, divertido e confortável em sua própria identidade.

Travis Knight também demonstra o mesmo talento visual que já havia apresentado em Kubo e as Cordas Mágicas e Bumblebee. Eternia surge colorida, vibrante e cheia de personalidade, reproduzindo a estética fantástica da animação clássica sem abrir mão de uma produção moderna. Para quem cresceu assistindo ao desenho, a sensação é de finalmente ver aquele universo ganhar vida com o cuidado que sempre mereceu.