Fenômeno El Niño pode atingir intensidade muito forte no Brasil

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O fenômeno El Niño tem alta probabilidade de atingir intensidade muito forte entre os meses de outubro e dezembro deste ano, segundo atualização divulgada nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O monitoramento indica que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico poderá influenciar diretamente o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões brasileiras, especialmente durante a primavera e o início do verão.

As projeções apontam para um aumento das chuvas na Região Sul e manutenção do risco de estiagem em áreas da Região Norte, cenário semelhante ao registrado entre 2023 e 2024. Especialistas destacam, porém, que a intensidade dos impactos dependerá da combinação do El Niño com outros sistemas meteorológicos que atuam sobre o país.

NOAA aponta alta probabilidade de um “super El Niño”

A nova atualização divulgada pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indica que o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial poderá alcançar níveis classificados como muito fortes durante o último trimestre de 2026.

O El Niño é caracterizado pelo aumento da temperatura da superfície do mar em pelo menos 0,5°C acima da média histórica, condição que precisa permanecer por vários meses consecutivos para que o fenômeno seja oficialmente configurado.

Caso o aquecimento ultrapasse 2°C acima da média, o evento poderá ser classificado como um super El Niño, categoria considerada rara e associada a impactos climáticos mais intensos em diferentes partes do planeta.

Como o fenômeno influencia o clima brasileiro

De acordo com a meteorologista Marilene de Lima, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram/Epagri), ainda é necessário acompanhar o comportamento do oceano nos próximos meses para confirmar a intensidade definitiva do fenômeno.

Segundo a especialista, o principal efeito esperado é o aumento da umidade e das chuvas na Região Sul durante a primavera.

Ela explica que o aquecimento das águas modifica a circulação dos ventos na atmosfera, alterando o padrão climático em diferentes regiões do continente.

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Norte pode enfrentar novo período de estiagem

Enquanto o Sul tende a registrar precipitações acima da média, a Região Norte poderá enfrentar redução das chuvas, repetindo um cenário semelhante ao observado entre 2023 e 2024.

Naquele período, diversos rios da Amazônia atingiram níveis historicamente baixos, afetando comunidades ribeirinhas, o transporte fluvial, o abastecimento e a atividade econômica em vários municípios.

Embora o monitoramento atual ainda não permita prever a intensidade exata dos impactos para a Amazônia, os órgãos de meteorologia acompanham a evolução do fenômeno para emissão de novos boletins ao longo dos próximos meses.

Especialista alerta que El Niño não age sozinho

A meteorologista Marilene de Lima ressalta que o El Niño, isoladamente, não é responsável por episódios extremos de chuva.

Segundo ela, eventos intensos costumam ocorrer quando o fenômeno atua em conjunto com outros sistemas atmosféricos, como:

  • frentes frias;
  • corredores de umidade;
  • ventos em médios e altos níveis da atmosfera;
  • áreas de baixa pressão.

Essa combinação pode provocar vários dias consecutivos de chuva intensa, principalmente na Região Sul.

Monitoramento será atualizado mensalmente

A NOAA informou que continuará realizando atualizações mensais sobre a temperatura das águas do Oceano Pacífico.

Esses boletins permitirão acompanhar se o aquecimento continuará aumentando até alcançar o patamar considerado de um super El Niño.

Os dados também servirão de base para previsões meteorológicas utilizadas por órgãos estaduais e federais de monitoramento climático no Brasil.

Impactos para agricultura, energia e população

A evolução do El Niño é acompanhada de perto por setores como agricultura, defesa civil, geração de energia e transporte.

Mudanças no regime de chuvas podem afetar:

  • produção agrícola;
  • reservatórios hidrelétricos;
  • abastecimento de água;
  • navegação fluvial;
  • planejamento das ações de prevenção da Defesa Civil.

Especialistas recomendam que produtores rurais, gestores públicos e população acompanhem os boletins oficiais emitidos pelos institutos de meteorologia, já que as projeções podem sofrer alterações conforme novas medições forem realizadas.

O que esperar nos próximos meses

Apesar da elevada probabilidade de fortalecimento do fenômeno, meteorologistas destacam que ainda não é possível definir com precisão todos os impactos regionais.

A confirmação de um super El Niño dependerá da permanência do aquecimento das águas do Pacífico ao longo dos próximos meses. Até lá, as previsões continuarão sendo atualizadas conforme novos dados forem coletados.

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