O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo, após complicações relacionadas à insuficiência renal crônica. Autor de novelas que marcaram a televisão brasileira, como “Pantanal”, “O Rei do Gado” e “Terra Nostra”, ele deixou um legado de histórias que transformaram o universo rural em protagonista da teledramaturgia nacional.
A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o escritor realizava tratamento médico. Em janeiro de 2026, Benedito chegou a permanecer 19 dias internado na unidade para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica.
Autor marcou a televisão brasileira com histórias do campo
Benedito Ruy Barbosa ficou conhecido por construir grandes sagas familiares ambientadas principalmente no interior do Brasil. Suas obras abordaram temas como imigração, conflitos por terra, relações familiares, tradições culturais e desafios da vida no campo.
Entre suas principais produções estão “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Pantanal” (1990), “Renascer” (1993), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).
As novelas ajudaram a consolidar uma representação do Brasil rural na televisão, apresentando personagens ligados à agricultura, pecuária, comunidades tradicionais e histórias de famílias marcadas por disputas e transformações sociais.
Trajetória começou no interior de São Paulo
Benedito Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931. O escritor passou parte da infância em Vera Cruz, região marcada pela presença de cafezais e comunidades de imigrantes japoneses e italianos.
Filho mais velho entre cinco irmãos, enfrentou dificuldades financeiras após a morte precoce do pai. Ainda jovem, trabalhou em diferentes atividades, como auxiliar de uma empresa comercial, vendedor de verduras e faxineiro.
Posteriormente, conseguiu uma oportunidade como revisor no jornal O Estado de S. Paulo, onde iniciou uma aproximação profissional com a escrita e o jornalismo.
Primeiros trabalhos abriram caminho para a televisão
O interesse pela literatura levou Benedito a escrever seu primeiro romance, “Fogo Frio”, obra que posteriormente foi adaptada para o teatro e recebeu reconhecimento da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Sua estreia na televisão ocorreu em 1966, com a novela “Somos Todos Irmãos”, exibida pela TV Tupi.
Ao longo da carreira, também trabalhou em emissoras como TV Excelsior, TV Cultura e Rede Record.
Em 1971, escreveu “Meu Pedacinho de Chão”, produção realizada em parceria entre TV Cultura e TV Globo, considerada uma das primeiras obras a destacar o universo rural como elemento central de uma novela.
“Pantanal” revolucionou a televisão brasileira
Um dos maiores momentos da carreira de Benedito Ruy Barbosa aconteceu em 1990, quando escreveu “Pantanal” para a TV Manchete.
A novela chamou atenção pelo uso de gravações em cenários naturais, pela valorização da cultura regional e pela apresentação das paisagens do bioma Pantanal ao público nacional.
A produção se tornou um marco por apostar em uma narrativa diferente das novelas tradicionais da época, com maior presença de ambientes externos e uma relação mais próxima com a natureza.
Décadas depois, a história ganhou uma nova versão produzida pela TV Globo, escrita por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa.
Obras abordaram imigração, terra e conflitos sociais
Após o sucesso de “Pantanal”, Benedito retornou à Globo e escreveu “Renascer” (1993), novela ambientada no interior da Bahia que retratava conflitos entre gerações e disputas familiares.
Em “O Rei do Gado” (1996), o autor abordou a rivalidade entre famílias de origem italiana e trouxe discussões relacionadas à concentração de terras e à reforma agrária.
Já “Terra Nostra” (1999) apresentou a trajetória de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no início do século XX, acompanhando os desafios de adaptação e construção de uma nova vida.
Última novela foi “Velho Chico”
Em 2016, Benedito Ruy Barbosa escreveu “Velho Chico”, novela ambientada no sertão nordestino e marcada por temas como disputas pelo poder, relações familiares e conflitos envolvendo terras e recursos naturais.
Ao longo da carreira, o dramaturgo também revisitou obras próprias, assinando novas versões de produções como “Sinhá Moça” (2006) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014).
Em entrevista ao longo da trajetória profissional, o autor destacou que buscava construir personagens ligados a valores como determinação, esperança e conexão com suas origens.
Velório será realizado em São Paulo
O velório de Benedito Ruy Barbosa será realizado nesta terça-feira (7), das 15h às 21h, no Funeral Home, na região da Bela Vista, em São Paulo.
A cerimônia será aberta ao público entre 15h e 16h.
Com mais de seis décadas dedicadas à televisão e à literatura, Benedito Ruy Barbosa deixa uma contribuição marcada pela valorização das histórias brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao interior e às diferentes culturas que formam o país.






