Lula assina decreto para bloquear recursos de bets ilegais

LULA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (19) o Decreto nº 13.033/2026, que estabelece o bloqueio imediato dos recursos financeiros de empresas de apostas de quota fixa que operam irregularmente no país. Após a conclusão do processo legal, os valores poderão ser destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública para financiar ações de combate ao crime organizado.

A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e, segundo o Ministério da Fazenda, foi viabilizada pela Lei Antifacção, aprovada pelo Congresso Nacional. Um dos instrumentos previstos pela legislação é o chamado “perdimento de bens”, que permite a transferência dos recursos apreendidos após decisão definitiva.

Quase 50 mil sites ilegais já foram bloqueados

De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, desde 2025 a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o bloqueio de quase 50 mil sites de apostas ilegais ligados a cerca de 350 operadores.

Segundo Durigan, essas empresas utilizavam 37 instituições financeiras, principalmente fintechs e empresas de pagamento com menor nível de supervisão.

Durante entrevista coletiva, o secretário explicou que o novo decreto permite que a Secretaria de Prêmios e Apostas envie diretamente aos bancos e instituições financeiras uma notificação determinando o bloqueio das contas utilizadas pelas empresas irregulares.

“Uma vez que a instituição financeira receber essa notificação, a obrigação legal passa a valer e todas as contas identificadas deverão ser bloqueadas imediatamente”, afirmou.

Bloqueio deverá ocorrer em até 24 horas

Conforme o procedimento estabelecido pelo decreto, a Secretaria de Prêmios e Apostas será responsável por identificar os operadores sem autorização e emitir um auto de constatação da irregularidade.

Após a emissão do documento, bancos e instituições de pagamento terão prazo de até 24 horas para bloquear os valores existentes nas contas relacionadas às bets ilegais e interromper novas movimentações financeiras.

As instituições deverão comunicar o cumprimento da determinação em até 48 horas. O Banco Central será informado simultaneamente e ficará responsável por supervisionar a execução das medidas.

Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá regulamentar os procedimentos operacionais do bloqueio das contas e dos recursos.

Ministério da Justiça conduzirá processos administrativos

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, será responsável pela abertura e condução dos processos administrativos.

As empresas notificadas poderão apresentar defesa, e a Senasp poderá requisitar documentos e realizar diligências para apuração dos fatos, observando os princípios do contraditório e da ampla defesa.

Caso seja reconhecido o cabimento do perdimento dos bens, os autos serão encaminhados à Advocacia-Geral da União (AGU), que deverá ingressar com ação judicial.

Após o ajuizamento, os recursos bloqueados serão convertidos em depósito judicial e permanecerão à disposição da Justiça até a decisão final.

Instituições financeiras poderão responder solidariamente

Na quinta-feira (18), o Ministério da Fazenda também publicou a Portaria nº 1.766/2026, que regulamenta a responsabilidade tributária solidária das instituições financeiras que realizarem operações para empresas de apostas ilegais.

Segundo Dario Durigan, a medida busca desestimular que bancos e fintechs mantenham relacionamento com operadores sem autorização para funcionar no Brasil.

Caso uma instituição financeira permita a movimentação de recursos dessas empresas, a Receita Federal poderá atribuir responsabilidade solidária e cobrar os tributos que seriam devidos pelas casas de apostas irregulares.

Medida busca reforçar combate ao crime organizado

O governo federal avalia que o novo decreto fortalece a fiscalização do mercado de apostas eletrônicas e dificulta a atuação de operadores clandestinos.

Com a transferência dos recursos confiscados para o Fundo Nacional de Segurança Pública, a expectativa é ampliar o financiamento de ações de combate ao crime organizado e fortalecer as políticas de segurança pública em todo o país.

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