A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu um grupo de trabalho para aprofundar a avaliação da segurança da vacina da dengue Butantan-DV. A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 715/2026, publicada na terça-feira (16), em Brasília, e faz parte do monitoramento contínuo dos imunizantes aplicados no país.
Segundo a agência, o colegiado será responsável por coordenar análises sobre eventos adversos registrados após a aplicação da vacina e revisar dados complementares apresentados pelo Instituto Butantan. As informações servirão de base para futuras decisões da Diretoria Colegiada da Anvisa.
Grupo acompanhará eventos adversos registrados
De acordo com a Anvisa, o novo grupo de trabalho terá suporte técnico de um painel de especialistas externos, que analisará os dados clínicos relacionados aos possíveis efeitos adversos observados após a vacinação.
A iniciativa faz parte das ações de farmacovigilância, sistema que acompanha continuamente a segurança de vacinas e medicamentos mesmo após a autorização para uso.
A avaliação permitirá consolidar informações sobre benefícios e riscos do imunizante, garantindo que eventuais atualizações sejam feitas com base em evidências científicas.
Especialistas externos participarão da análise
O painel consultivo será composto por profissionais externos à Anvisa, escolhidos com base em critérios técnicos, experiência profissional e ausência de conflito de interesses.
A participação será voluntária e sem remuneração. O objetivo é ampliar a análise científica e fornecer subsídios adicionais para a tomada de decisões regulatórias.
Também poderá haver participação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), ligado ao Ministério da Saúde, como órgão convidado durante as atividades do grupo.
Grupo reúne diferentes áreas da Anvisa
O grupo de trabalho contará com representantes das áreas responsáveis por produtos biológicos, farmacovigilância, monitoramento e inspeção sanitária, além de diretorias da agência reguladora.
Conforme a Portaria nº 715/2026, o colegiado terá duração por tempo indeterminado e permanecerá ativo enquanto houver necessidade de acompanhamento relacionado à segurança da vacina.
As conclusões elaboradas pelo grupo e pelos especialistas externos serão encaminhadas à Diretoria Colegiada da Anvisa, responsável pelas decisões finais.
Monitoramento é procedimento padrão em vacinas
A criação do grupo não significa suspensão da vacina ou identificação de problemas definitivos no imunizante. Segundo a Anvisa, trata-se de uma medida de monitoramento permanente, prática adotada internacionalmente para garantir a segurança dos produtos utilizados pela população.
O acompanhamento de eventos adversos é considerado uma etapa normal do processo regulatório e permite que novas informações sejam incorporadas conforme o avanço da vacinação e a ampliação dos dados disponíveis.
Vacina do Butantan começou a ser aplicada em 2026
A vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante brasileiro de dose única contra a dengue. O produto começou a ser distribuído em 2026 por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Estados e municípios receberam doses para aplicação em suas populações, enquanto estudos adicionais continuam sendo realizados pelo Instituto Butantan para ampliar o conhecimento sobre a eficácia e a segurança do produto em diferentes grupos.
Recentemente, o Ministério da Saúde e autoridades sanitárias também divulgaram orientações para acompanhamento de sintomas e armazenamento das doses em determinadas localidades, sempre em consonância com as recomendações da Anvisa.
Decisões futuras dependerão das análises técnicas
As informações produzidas pelo grupo de trabalho e pelo painel de especialistas poderão resultar em atualizações nas recomendações de uso, se houver necessidade.
Segundo a Anvisa, todas as decisões serão baseadas em critérios técnicos e científicos, considerando os benefícios da vacinação e os dados coletados durante o monitoramento.
A agência reforçou que o acompanhamento contínuo é uma das ferramentas utilizadas para garantir a segurança da população e manter a confiança nos programas de imunização.







