O Amazonas enfrenta o desafio de ampliar a acessibilidade para idosos diante do crescimento da população da terceira idade e da necessidade de adaptação das cidades para garantir mais autonomia, mobilidade e qualidade de vida. O tema ganha destaque durante a campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa.
A discussão foi reforçada pelo engenheiro civil Marcellus Campêlo, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública, que defende o fortalecimento de políticas públicas voltadas à acessibilidade urbana, habitação adaptada e inclusão social da população idosa.
Envelhecimento populacional exige planejamento urbano
O aumento da expectativa de vida e a redução das taxas de natalidade têm alterado o perfil demográfico brasileiro. Com isso, cresce a necessidade de investimentos em infraestrutura urbana capaz de atender às demandas específicas da população idosa.
Entre os principais desafios apontados estão a implantação de calçadas seguras, iluminação pública adequada, moradias acessíveis, espaços de convivência adaptados e serviços públicos preparados para atender pessoas com mobilidade reduzida.
Segundo Campêlo, a acessibilidade deve ser incorporada de forma permanente ao planejamento das cidades.
“As cidades precisam estar preparadas para atender essa população com mais segurança, acessibilidade e qualidade de vida. O que foi feito até aqui é importante, mas ainda há muito a avançar”, afirmou.
Junho Violeta reforça debate sobre direitos dos idosos
A campanha Junho Violeta é uma mobilização internacional voltada à prevenção da violência contra a pessoa idosa. Além do enfrentamento aos casos de abuso, negligência e abandono, a iniciativa também estimula a discussão sobre direitos, inclusão social e envelhecimento saudável.
Especialistas apontam que garantir acessibilidade não se limita à eliminação de barreiras físicas. O conceito envolve também a criação de ambientes que permitam independência, segurança e participação ativa dos idosos na sociedade.
Nesse contexto, a adaptação dos espaços urbanos torna-se uma medida importante para assegurar dignidade e qualidade de vida à população que envelhece.
Habitação adaptada para idosos
Entre as iniciativas destacadas estão as adaptações implementadas em programas habitacionais executados durante a gestão de Marcellus Campêlo à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
No programa Amazonas Meu Lar, a legislação prevê a reserva de 3% a 5% das unidades habitacionais financiadas com recursos públicos para pessoas idosas.
Já nos empreendimentos do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), foram incluídos apartamentos adaptados localizados nos pavimentos térreos, seguindo o conceito de “zero degrau”, que elimina barreiras arquitetônicas e facilita a circulação dos moradores.
As unidades contam com portas ampliadas, banheiros adaptados com barras de apoio e espaços adequados para utilização de cadeiras de rodas, bengalas e andadores.
Empreendimentos já entregues seguem critérios de acessibilidade
Dois conjuntos habitacionais entregues pelo programa já contam com essas características: o Residencial General Rodrigo Otávio, localizado no bairro Japiim, e o Parque Residencial Maués, situado no bairro Cachoeirinha, ambos na zona sul de Manaus.
Os projetos foram desenvolvidos seguindo as normas técnicas de acessibilidade e buscando oferecer mais segurança aos moradores da terceira idade.
De acordo com Campêlo, a adaptação das moradias representa uma mudança importante na forma de planejar os empreendimentos habitacionais.
“O desafio não era apenas construir moradias, mas começar a introduzir uma nova forma de pensar os empreendimentos habitacionais. À medida que a população envelhece, essas adaptações precisarão se tornar cada vez mais presentes”, destacou.
Parques e áreas públicas também receberam adaptações
As medidas de acessibilidade também foram incorporadas aos parques e áreas de convivência implantados pelo Prosamin+.
Os parques das Araras, Dois Amigos, Oscarino e Peteleco contam com calçadas niveladas, rampas de acesso, pisos antiderrapantes e equipamentos instalados de acordo com os parâmetros da Norma Brasileira de Acessibilidade (NBR 9050).
Além disso, os espaços incluem academias ao ar livre e equipamentos voltados à prática de atividades físicas de baixo impacto, incentivando hábitos saudáveis e a convivência social entre os idosos.
Desafio deve crescer nos próximos anos
Especialistas alertam que o envelhecimento populacional continuará avançando nas próximas décadas, tornando a acessibilidade um tema cada vez mais relevante para estados e municípios.
A preparação das cidades envolve planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura e cumprimento das normas de acessibilidade em obras públicas e privadas.
Para Campêlo, o processo de adaptação precisa continuar evoluindo para garantir que a população idosa tenha acesso aos serviços públicos, áreas de lazer e espaços urbanos com segurança e autonomia.
Segundo ele, cidades planejadas para atender pessoas com mais dificuldades de locomoção tornam-se mais inclusivas para toda a população.







