O debate sobre o acesso de estudantes ao transporte coletivo em Manaus ganhou força ainda na década de 1990, quando universitários passaram a organizar mobilizações em defesa da meia passagem estudantil. Mais de 30 anos depois, a pauta evoluiu para a implantação do Passe Livre Estudantil, benefício que atualmente atende milhares de alunos das redes públicas de ensino da capital amazonense.
O benefício foi viabilizado em 2022 pelo Governo do Amazonas, por meio de repasses realizados pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) à Prefeitura de Manaus. A medida garantiu gratuidade no transporte coletivo para cerca de 170 mil estudantes das redes estadual e municipal.
A criação do Passe Livre representou um avanço histórico para estudantes de baixa renda, que durante décadas enfrentaram dificuldades para custear o deslocamento diário até escolas e universidades.
Movimento estudantil ganhou força nos anos 90
A luta pela meia passagem estudantil se consolidou como uma das principais bandeiras do movimento estudantil amazonense no início da década de 1990.
Na época, estudantes universitários realizavam manifestações, reuniões e articulações políticas em defesa da redução da tarifa de ônibus para alunos da capital.
Entre os líderes do movimento estava o engenheiro Marcellus Campêlo, então estudante da antiga Universidade de Tecnologia da Amazônia (UTAM), atual Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Entre 1990 e 1991, Campêlo presidiu o Diretório Acadêmico do curso e, em 1992, assumiu a presidência do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Segundo ele, o transporte coletivo sempre representou um dos principais desafios para estudantes de famílias de baixa renda.
“O custo do transporte coletivo pesa demais no orçamento e esse benefício é extremamente importante para as famílias. Acompanhei essa luta desde o movimento estudantil e, como gestor, tive a oportunidade de participar das discussões que transformaram essa reivindicação em política pública”, afirmou.
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Passe Livre começou em 2022
O convênio que viabilizou o Passe Livre Estudantil foi firmado no fim de 2021 e começou a funcionar em fevereiro de 2022.
O acordo permitiu que estudantes das redes estadual e municipal passassem a utilizar gratuitamente o transporte coletivo urbano em Manaus.
Entre 2022 e 2024, o Governo do Amazonas repassou mais de R$ 358 milhões ao município para custear integralmente o benefício.
A medida foi executada por meio da UGPE durante a gestão de Marcellus Campêlo à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da própria Unidade Gestora.
Benefício atende milhares de famílias
O Passe Livre passou a beneficiar diretamente cerca de 170 mil estudantes da capital amazonense.
Para milhares de famílias de baixa renda, a gratuidade no transporte coletivo reduziu despesas mensais e ampliou as condições de permanência dos alunos nas salas de aula.
Além do impacto financeiro, o benefício também contribuiu para diminuir a evasão escolar entre estudantes que dependem diariamente do sistema de ônibus.
“Garantir esse direito ajuda na permanência dos alunos na escola e reduz os gastos das famílias”, destacou Marcellus Campêlo.
Governo manteve custeio para rede estadual
Em 2025, o convênio entre Governo do Estado e Prefeitura de Manaus deixou de ser renovado após recomendação do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Mesmo assim, o Governo do Amazonas manteve o benefício para estudantes da rede estadual de ensino.
Atualmente, cerca de 150 mil alunos continuam sendo atendidos com o custeio realizado diretamente ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
A manutenção do benefício garantiu a continuidade do acesso gratuito ao transporte coletivo para estudantes da rede estadual.
Transporte impacta permanência escolar
O acesso ao transporte coletivo sempre esteve ligado ao debate sobre permanência escolar e acesso à educação em Manaus.
Em uma cidade marcada por grandes distâncias urbanas e crescimento populacional acelerado, o custo da tarifa representa um impacto significativo para famílias de baixa renda.
Especialistas apontam que políticas públicas voltadas ao transporte estudantil ajudam a reduzir desigualdades sociais e ampliam o acesso ao ensino.
Ao longo das últimas décadas, a pauta do transporte coletivo se tornou recorrente em mobilizações estudantis, debates legislativos e discussões sobre mobilidade urbana na capital amazonense.
Debate sobre mobilidade segue em pauta
Mesmo após a implantação do Passe Livre, o debate sobre mobilidade urbana e acesso ao transporte público continua entre os principais desafios de Manaus.
Questões relacionadas à qualidade da frota, tempo de deslocamento, integração entre bairros e custo operacional do sistema seguem sendo discutidas pelo poder público e por entidades estudantis.
A trajetória da meia passagem até o Passe Livre mostra como reivindicações históricas do movimento estudantil influenciaram políticas públicas voltadas ao acesso à educação e à mobilidade urbana na capital amazonense.






