O Peru definiu os dois candidatos que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Após mais de um mês de apuração marcada por atrasos, denúncias sem provas e recontagem de votos, a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino avançaram para a fase decisiva do pleito, marcada para 7 de junho.
Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, recebeu 17,18% dos votos válidos. Roberto Sánchez, ex-ministro do governo de Pedro Castillo, ficou em segundo lugar com 12,03%, superando por pequena margem o ultraconservador Rafael López Aliaga, que obteve 11,90%.
O resultado consolida mais um capítulo da prolongada crise política peruana, que já levou o país a ter nove presidentes em uma década.
Apuração demorada e questionamentos
O processo eleitoral foi marcado por dificuldades logísticas em Lima, onde algumas seções eleitorais abriram com atraso devido à ausência de mesários. Também houve questionamentos sobre a lisura da votação, especialmente por parte de Rafael López Aliaga, que alegou fraude sem apresentar provas.
Missões de observação da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia afirmaram que não encontraram evidências de irregularidades que comprometessem o resultado. A proclamação oficial está prevista para 17 de maio pelo Jurado Nacional de Eleições do Peru.
Quem é Keiko Fujimori
Keiko Fujimori disputa sua quarta tentativa de chegar à Presidência do Peru. Ela foi derrotada nos segundos turnos de 2011, 2016 e 2021, sempre enfrentando forte resistência de parte do eleitorado em razão da herança política de seu pai.
Alberto Fujimori governou o país entre 1990 e 2000 e foi condenado por violações de direitos humanos e corrupção.
Na campanha de 2026, Keiko defende uma agenda liberal na economia, maior aproximação com os Estados Unidos e fortalecimento do combate ao crime organizado.
Quem é Roberto Sánchez
Psicólogo de formação, Roberto Sánchez é deputado e foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo. Filiado ao partido Juntos pelo Peru, ele representa um campo político ligado à esquerda e aos movimentos populares.
Entre suas propostas estão:
- Nacionalização de recursos naturais estratégicos;
- Convocação de uma Assembleia Constituinte;
- Ampliação de direitos trabalhistas;
- Fortalecimento do papel do Estado na economia.
Sánchez também defende maior protagonismo das regiões rurais e das populações historicamente excluídas do sistema político peruano.
Candidato enfrenta denúncia do Ministério Público
Dias antes da confirmação do segundo turno, o Ministério Público do Peru apresentou denúncia contra Roberto Sánchez por supostas irregularidades na prestação de contas partidárias entre 2018 e 2020.
Os promotores pedem pena de cinco anos e quatro meses de prisão, além da inelegibilidade. O candidato nega as acusações e afirma que nunca foi responsável pelas finanças da legenda.
A denúncia adiciona um novo elemento de tensão à disputa presidencial.
Contexto de crise política no Peru
O Peru vive instabilidade institucional desde a década passada. Em 2021, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori, mas foi destituído pelo Congresso após tentar dissolver o Parlamento.
Castillo foi posteriormente condenado por tentativa de golpe de Estado. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu o cargo, mas também foi afastada após sucessivas crises e protestos.
A sucessão de presidentes e confrontos entre Executivo e Legislativo tem aprofundado a desconfiança da população nas instituições.
Relação com o Brasil
O resultado das eleições no Peru é acompanhado com atenção pelo Brasil. Os dois países compartilham uma fronteira de cerca de 2,9 mil quilômetros na Amazônia e mantêm relações comerciais e estratégicas em áreas como infraestrutura, segurança e meio ambiente.
Mudanças na orientação política do governo peruano podem impactar temas como:
- Integração regional;
- Cooperação na Amazônia;
- Investimentos em infraestrutura;
- Relações comerciais com China e Estados Unidos.
Segundo turno será em 7 de junho
Mais de 27 milhões de peruanos estão aptos a votar no segundo turno. A disputa coloca frente a frente dois projetos distintos para o futuro do país: um de perfil conservador e liberal, liderado por Keiko Fujimori, e outro de esquerda, representado por Roberto Sánchez.
O vencedor assumirá a Presidência em um cenário de elevada polarização e terá o desafio de reconstruir a confiança nas instituições democráticas do Peru.






