A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para um encontro com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília, ocorre em um momento de forte tensão internacional. A reunião acontece em meio à guerra envolvendo o Irã e ao acirramento da disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.
O encontro é acompanhado com atenção pelos mercados globais porque pode influenciar temas estratégicos, como tarifas comerciais, fornecimento de terras raras, segurança em Taiwan e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Guerra tarifária e disputa tecnológica
Desde o início de seu segundo mandato, Trump retomou a política de aumento de tarifas sobre produtos chineses, intensificando a disputa com Pequim. Em resposta, a China ampliou restrições à exportação de minerais de terras raras, insumos considerados essenciais para as indústrias de tecnologia, defesa e transição energética.
Segundo analistas ouvidos pela Agência Brasil, a reação chinesa reduziu a margem de manobra de Washington, já que os Estados Unidos dependem desses minerais para a produção de equipamentos militares e componentes eletrônicos.
Guerra no Irã enfraquece posição dos EUA
A ofensiva militar contra o Irã também alterou o cenário geopolítico. A China é a principal compradora do petróleo iraniano e tem interesse direto na normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte significativa do petróleo mundial.
Para o analista geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, Trump chega ao encontro em uma posição menos favorável.
“Nunca um presidente dos Estados Unidos chegou a uma reunião com a China tão enfraquecido”, afirmou.
A avaliação é que a guerra no Irã, ao contrário do esperado pela Casa Branca, não fortaleceu a posição negociadora de Washington.
Taiwan deve estar no centro das conversas
Outro tema sensível é Taiwan. Trump indicou que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas americanas para a ilha, que Pequim considera parte de seu território.
O governo chinês reiterou que se opõe firmemente a qualquer apoio externo à independência de Taiwan, seguindo a política de “uma só China”.
Terras raras e dependência industrial
Os minerais de terras raras devem ocupar papel central nas negociações. A China lidera a produção global de elementos como samário e neodímio, usados na fabricação de mísseis, motores elétricos e equipamentos eletrônicos.
Especialistas destacam que os Estados Unidos têm dificuldade para substituir o fornecimento chinês, o que amplia o peso de Pequim nas negociações bilaterais.
Brasil pode se beneficiar da disputa
O Brasil possui cerca de 22% das reservas mundiais de minerais críticos, atrás apenas da China. Para analistas, essa posição pode abrir oportunidades estratégicas para o país.
O professor José Luiz Niemeyer, do IBMEC, avalia que o Brasil pode ampliar exportações e negociar vantagens comerciais à medida que cresce a disputa entre Washington e Pequim.
Impacto para a economia global
O encontro entre Trump e Xi Jinping ocorre em um contexto de instabilidade geopolítica, alta no preço do petróleo e incertezas sobre o comércio internacional.
Qualquer avanço ou impasse nas negociações pode repercutir sobre mercados financeiros, cadeias produtivas e preços de commodities, com efeitos diretos para países exportadores como o Brasil.






