Irã diz que proposta de paz é legítima e critica exigências dos EUA
O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (11) que a proposta de paz apresentada a Estados Unidos é “legítima e generosa”. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, em resposta às críticas do presidente norte-americano, Donald Trump, que classificou as exigências de Teerã como “totalmente inaceitáveis”.
A troca de declarações ocorre em meio às negociações para um possível acordo que possa reduzir as tensões no Oriente Médio, região marcada por conflitos envolvendo o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e confrontos indiretos entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Irã exige fim da guerra e suspensão de sanções
Segundo Baghaei, a principal condição apresentada por Teerã é o encerramento das hostilidades e o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.
“A nossa exigência é legítima: exigir o fim da guerra, a suspensão do bloqueio e da pirataria e a libertação dos bens iranianos que foram injustamente congelados nos bancos devido à pressão dos EUA”, afirmou o chanceler.
O governo iraniano também defende o fim dos ataques de Israel ao Líbano, um dos pontos centrais da posição de Teerã nas negociações.
Trump rejeita condições apresentadas por Teerã
No domingo (10), Donald Trump afirmou em sua rede social que as exigências iranianas são inaceitáveis e criticou a resposta do país à proposta de paz apresentada por Washington.
O governo norte-americano defende duas medidas principais:
- O encerramento do programa de enriquecimento de urânio do Irã;
- A abertura total do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
As autoridades dos EUA argumentam que essas ações são fundamentais para reduzir os riscos à segurança internacional e garantir estabilidade no mercado energético.
Estreito de Ormuz é rota vital para o petróleo
Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Qualquer ameaça à navegação na região costuma provocar alta nos preços internacionais do petróleo e elevar preocupações sobre o abastecimento global.
Nos últimos dias, drones hostis foram detectados sobre vários países do Golfo Pérsico, reforçando o clima de instabilidade.
Programa nuclear segue no centro do impasse
O programa nuclear iraniano permanece como principal ponto de divergência entre as partes.
Os Estados Unidos e aliados ocidentais afirmam que o enriquecimento de urânio pode ser utilizado para fins militares. O Irã sustenta que o programa tem finalidade exclusivamente pacífica, voltada à produção de energia e pesquisa científica.
As sanções impostas por Washington restringem o acesso do país ao sistema financeiro internacional e bloqueiam bilhões de dólares em ativos iranianos no exterior.
Impacto global da falta de acordo
A ausência de um entendimento entre Irã e Estados Unidos mantém o mercado internacional em alerta.
Além do risco de novos confrontos no Oriente Médio, o impasse pode afetar os preços do petróleo, pressionar a inflação global e comprometer cadeias de abastecimento.
Para países importadores de combustíveis, como o Brasil, a escalada das tensões pode refletir diretamente nos custos de energia e transporte.
Negociações seguem sem consenso
Até o momento, não há previsão para um novo acordo.
As declarações desta segunda-feira indicam que as posições de Teerã e Washington continuam distantes, dificultando avanços imediatos nas negociações diplomáticas.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, diante do potencial impacto geopolítico e econômico da crise.







