Projeto propõe novas regras de segurança digital para crianças

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O Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 687/2026, que estabelece novas regras de segurança para crianças e adolescentes no ambiente digital. A proposta altera o chamado ECA Digital e impõe exigências a redes sociais e aplicativos de mensagens para reduzir riscos à saúde mental de menores.

O texto determina que plataformas adotem o conceito de “segurança por design”, ou seja, que os serviços sejam desenvolvidos desde a origem com mecanismos de proteção ao público jovem.

Proibição de recursos que incentivam uso excessivo

Entre as principais medidas, o projeto proíbe o uso de técnicas conhecidas como “design persuasivo”, que estimulam o uso prolongado por menores de 18 anos.

As plataformas deverão:

  • Interromper a rolagem infinita com alertas a cada 15 minutos
  • Bloquear reprodução automática de vídeos sem autorização
  • Proibir notificações criadas apenas para induzir o retorno ao aplicativo

A proposta busca reduzir comportamentos associados ao uso compulsivo de redes sociais.

Monitoramento em aplicativos de mensagens

Para aplicativos de mensagens, o texto prevê ferramentas de supervisão parental com alertas automáticos em situações de risco, como:

  • Detecção de nudez ou violência extrema
  • Tentativas de contato com indícios de aliciamento
  • Inclusão de menores em grupos com adultos desconhecidos

Segundo o projeto, esses alertas serão processados diretamente no celular, sem acesso ao conteúdo das conversas por empresas ou pelo Estado.

Auditoria de algoritmos

A proposta também determina que algoritmos de recomendação passem por auditorias independentes.

O objetivo é evitar a promoção de conteúdos que possam estimular transtornos alimentares, automutilação ou outros comportamentos prejudiciais à saúde mental.

Justificativa do autor

Autor do projeto, o deputado Gilberto Abramo afirma que a medida responde ao aumento de casos de ansiedade e depressão entre jovens.

Segundo ele, o modelo proposto equilibra proteção e privacidade, ao prever alertas técnicos sem violar o sigilo das comunicações.

Tramitação no Congresso

O projeto será analisado em caráter conclusivo por comissões temáticas da Câmara, incluindo as de Comunicação e de Constituição e Justiça.

Para virar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Impacto para usuários e plataformas

Se aprovado, o projeto pode alterar o funcionamento de redes sociais e aplicativos no Brasil, exigindo mudanças estruturais em design, algoritmos e políticas de uso.

As medidas também ampliam o papel de responsáveis no acompanhamento digital de crianças e adolescentes, com foco na prevenção de riscos online.

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