Repatriação de fósseis da Bacia do Araripe foi oficializada nesta quarta-feira (25), em cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Dois exemplares retirados do Brasil há mais de 30 anos retornam ao país e passam a integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, vinculado à Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará. O ato envolve autoridades diplomáticas e científicas e reforça a política de recuperação do patrimônio paleontológico brasileiro.
A cerimônia contou com representantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Fósseis retornam após três décadas
Entre os itens repatriados está o fóssil de um crustáceo de água doce, que permanecia na Universidad Nacional del Nordeste desde 1993. A peça foi entregue à Embaixada do Brasil em Buenos Aires em dezembro de 2025, após negociação diplomática.
O segundo exemplar é o peixe Vinctifer comptoni, espécie que viveu há cerca de 113 milhões de anos e podia alcançar até 90 centímetros de comprimento. O fóssil foi apreendido pela polícia italiana em 2024 e posteriormente entregue à Embaixada do Brasil em Roma.
Ambos são originários da Bacia do Araripe, localizada na divisa entre Ceará, Pernambuco e Piauí.
Novo lote vindo da Suíça
Também na quarta-feira, a Embaixada do Brasil em Berna recebeu oito caixas contendo 45 fósseis provenientes da Universidade de Zurique. O material totaliza aproximadamente 150 quilos.
A embaixadora Maria Luisa Escorel afirmou que a devolução representa cooperação internacional no campo científico e cultural.
Todos os lotes ficarão sob guarda do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE).
Importância científica da repatriação
A repatriação de fósseis da Bacia do Araripe amplia o acervo disponível para pesquisas nacionais.
Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Inácio Arruda, a devolução fortalece o debate sobre preservação do patrimônio científico brasileiro.
O acervo do museu é utilizado em estudos sobre:
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Evolução das espécies
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Processos de fossilização
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Movimentação de placas tectônicas
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Condições ambientais do período Cretáceo
A região do Cariri é considerada uma das áreas mais ricas do mundo em fósseis do período Cretáceo.
Histórico recente de repatriações
A repatriação de fósseis da Bacia do Araripe faz parte de política mais ampla de recuperação do patrimônio paleontológico.
Em junho de 2023, o fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus retornou ao Brasil após permanecer décadas na Alemanha.
Desde 2022, mais de mil fósseis de animais e plantas foram devolvidos ao país.
O Ministério Público Federal já formulou 34 pedidos de cooperação internacional para recuperar fósseis cearenses que estão em instituições estrangeiras, principalmente nos Estados Unidos e Alemanha.
Há solicitações pendentes junto a Reino Unido, Espanha, Holanda, Coreia do Sul, Austrália, França, Irlanda, Portugal, Japão e Uruguai.
Patrimônio e preservação
A legislação brasileira considera fósseis bens da União. A exportação sem autorização é ilegal.
A repatriação de fósseis da Bacia do Araripe reforça a aplicação dessas normas e amplia o acesso público ao material científico.
Os exemplares agora integrarão exposições permanentes e projetos educacionais no Ceará.






