Os povos indígenas Nadëb e Kanamary lançam, nesta quarta-feira (4), o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Paraná do Boá-Boá, situada no noroeste do Amazonas. A iniciativa representa um passo importante para o fortalecimento da autonomia das comunidades e para a organização política do território. Além disso, o documento surge em um momento em que as pressões externas aumentam e exigem respostas articuladas e contínuas.
Construído coletivamente ao longo de quatro anos, o PGTA reúne conhecimentos tradicionais, práticas de manejo e prioridades definidas pelos próprios povos indígenas. Dessa forma, o plano orienta a governança interna, estabelece estratégias de uso sustentável dos recursos naturais e reforça a proteção da cultura e do modo de vida local. Como instrumento reconhecido pela Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), o documento também cria condições para ampliar o diálogo com o Estado, prefeituras e organizações parceiras.
Embora o governo federal tenha homologado a TI Paraná do Boá-Boá em 1997, o território enfrenta pressões constantes. Atividades como garimpo, pesca ilegal e extração predatória continuam avançando e, por consequência, colocam em risco a segurança das famílias indígenas. A fiscalização insuficiente intensifica esses conflitos, o que torna ainda mais urgente a adoção de medidas que fortaleçam a proteção territorial. Assim, o PGTA se posiciona como uma ferramenta essencial para orientar ações de vigilância e resposta rápida.
Nesse cenário, as lideranças destacam que o plano não apenas organiza estratégias de defesa, mas também cria diretrizes que serão fundamentais para as futuras gerações. O PGTA se consolida, portanto, como um guia para o desenvolvimento sustentável do território, garantindo que as comunidades continuem exercendo sua autonomia, preservando sua identidade e conduzindo seu próprio futuro com segurança e protagonismo.




