O plano de paz discutido entre os governos de Donald Trump e Vladimir Putin apresenta uma proposta que muda profundamente o mapa político da Ucrânia. O documento preliminar, obtido pela AFP, prevê que Kiev ceda as regiões de Donetsk e Luhansk à Rússia e reconheça a Crimeia como território russo. Além disso, a Ucrânia teria de assinar um acordo de não agressão e incluir na Constituição que renuncia à entrada na Otan, embora continue apta a ingressar na União Europeia. Como contrapartida, os Estados Unidos e a Europa ofereceriam garantias de segurança semelhantes às da Aliança Atlântica.
O texto também sugere a divisão das regiões de Kherson e Zaporizhzhia conforme a atual linha de frente, além da redução das forças armadas ucranianas para 600 mil militares. Paralelamente, o plano prevê a reativação da usina nuclear de Zaporizhzhia sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, com divisão igual da produção entre Rússia e Ucrânia. Para reconstruir o país, os EUA utilizariam US$ 100 bilhões em ativos russos congelados, medida que promete gerar forte debate internacional.
Enquanto isso, o governo ucraniano enfrenta crescente pressão militar. Nas últimas semanas, tropas russas avançaram em várias frentes e intensificaram ataques aéreos, o que aumenta a tensão sobre Kiev. Mesmo assim, o presidente Volodymyr Zelensky evita criticar abertamente a proposta americana para preservar o diálogo com Washington. Ele reforça, porém, que qualquer decisão deve respeitar a soberania do país. Líderes europeus também intervieram e garantiram que a Ucrânia precisa manter força suficiente para se defender.
Ao mesmo tempo, o Kremlin afirma que a Ucrânia tem pouca margem para negociar devido aos recentes avanços russos. A Casa Branca, por sua vez, declara que o plano “é bom para ambos os lados” e segue em revisão. Agora, o mundo aguarda a resposta oficial de Kiev, que deve ser apresentada até o dia 27, segundo Trump. O desfecho pode redefinir o futuro da guerra — e o equilíbrio de poder na Europa.






