Em Manaus, o Quilombo Urbano de São Benedito abriu as portas para um encontro que destacou a força da memória coletiva e o valor da resistência negra na capital amazonense. A atividade reuniu moradores, lideranças comunitárias e visitantes em uma manhã dedicada à troca de saberes, vivências e práticas culturais que reafirmam o papel da comunidade na preservação da história afro-amazonense. Desde cedo, o espaço recebeu pessoas interessadas em compreender como a oralidade e as tradições mantêm vivo o território quilombola inserido no coração da cidade.
Educação antirracista como prática diária
Ao longo do evento, representantes das Crioulas do Quilombo reforçaram o impacto do trabalho desenvolvido dentro da comunidade. Keilah Fonseca, Presidente da associação Criola, explica que “o grupo praticam diariamente a educação antirracista, promovendo equidade étnica e racial e fortalecendo o sentimento de pertencimento entre moradores”. Além disso, lembraram que São Benedito, santo padroeiro da comunidade, simboliza proteção e continuidade, conectando o presente com a trajetória dos ancestrais que pavimentaram esse caminho. Essa relação espiritual e cultural sustenta a luta e inspira novas gerações.

Cultura afro-amazonense em movimento
Em seguida, Rafaela Foncesa da Silva , Quilombola e tesoureira da associação Criolas, destaca que novembro tem um significado especial. “Embora o quilombo trabalhe educação antirracista durante todo o ano, o Mês da Consciência Negra amplia reflexões e reafirma identidades”. Ela ressaltaram que o Amazonas é uma terra onde indígenas, negros e afro-amazônidas caminham lado a lado, fortalecendo-se mutuamente. Ainda segundo Rafaela, a negritude e os povos originários compartilham histórias de resistência, protagonismo e defesa da vida, o que torna esse encontro ainda mais simbólico.

Memória, identidade e futuro coletivo
Sendo assim, mais do que um evento, o encontro reafirmou o Quilombo de São Benedito como espaço de memória, luta e construção de futuro. Sendo o primeiro quilombo urbano de Manaus, ele segue ativo, pulsante e comprometido em preservar a história que molda identidades e inspira a sociedade. Ao promover encontros como este, a comunidade lembra que fortalecer a cultura negra é também fortalecer a cidade que se ergue sobre ela.








