O consumo de álcool entre as mulheres brasileiras aumentou de forma preocupante nas últimas décadas. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de consumo abusivo praticamente dobrou entre 2006 e 2023, subindo de 7,8% para 15,2%. O crescimento é mais acentuado entre mulheres jovens e negras, refletindo mudanças sociais, pressões emocionais e campanhas publicitárias que associam bebida à liberdade e sucesso.
Especialistas explicam que o aumento está ligado à presença feminina em espaços antes dominados por homens e ao marketing direcionado, que romantiza o ato de beber. Além disso, sobrecarga emocional, responsabilidades familiares e traumas impulsionam o uso do álcool como forma de aliviar o estresse. A vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos em Álcool e Drogas (Abead), Helena Moura, destaca que a dependência atinge mulheres de todas as idades e classes sociais.
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Apesar do aumento dos casos, o tratamento ainda é raro. Apenas uma em cada 18 mulheres com diagnóstico de uso abusivo de substâncias está em tratamento. Muitas evitam buscar ajuda por medo do estigma ou por falta de apoio familiar. Para mudar esse cenário, o Senado analisa o Projeto de Lei 2.880/2023, que cria um programa nacional de atenção à saúde de mulheres alcoolistas. A proposta, relatada pela senadora Damares Alves, prevê acolhimento humanizado e reinserção social.
Os efeitos do álcool são ainda mais severos nas mulheres, que sofrem danos físicos e psicológicos mais rapidamente. Estudos mostram maior risco de câncer de mama, doenças hepáticas e transtornos mentais. Por isso, especialistas reforçam a urgência de campanhas educativas, restrições à publicidade de bebidas e políticas públicas específicas. O debate avança no Congresso, mas a conscientização social é essencial para reduzir o impacto desse problema crescente.





